quinta-feira, 3 de maio de 2012

Os Vingadores (The Avengers, 2012)



Após sair da sessão de cinema, cheguei a pensar que os resultados medianos de Thor (idem, 2011) e de Capitão América (Captain America: The First Avenger, 2011) poderiam ser relevados se fossem classificados como simples prelúdios para realização de Os Vingadores (The Avengers, 2012).

Digamos que o histórico dos super-heróis não poderia ser contado na introdução do longa, tampouco em uma primeira parte de franquia (imagine a bagunça), razão pela qual entendo como um acerto a prévia apresentação de seus protagonistas em produções isoladas. Desta forma, boa parte do público foi ao grande lançamento já com uma certa bagagem de conhecimento, mesmo que obtida em dois filmes  tépidos.

Os super-heróis do longa tiveram filmes exclusivos que introduziram previamente o complexo universo de  Os Vingadores, à exceção de o Gavião Arqueiro, que teve uma participação rápida em Thor, e da Viúva Negra, que apareceu com médio destaque em Homem de Ferro 2 (2010).

É lógico que não podemos afirmar propositalidade nas contenções criativas de Thor e de Capitão Américas, ousando concluir que as produções foram meros recursos para o lançamento do blockbuster, até porque a franquia de  Homem de Ferro (Iron Man, 2008; Iron Man 2, 2010), que também serviu de prólogo para o super encontro dos heróis, foi um grande sucesso de público e crítica.



O ambicioso projeto teve como missão reunir Tony Stark, o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Steve Rogers, o Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Bruce Banner, o Hulk (Mark Ruffalo) e Natasha Romanoff, a Viúva Negra (Scarlett Johansson), por meio de uma orquestrada ação do arrojado Nick Fury (Samuel L. Jackson), o diretor da agência internacional de paz do Universo Marvel, conhecida como S.H.I.E.L.D. O recrutamento dos super-heróis visava a criação de uma poderosa aliança para conter o possível domínio da terra pelo vilão Loki (Tom Hiddleston).



Para quem assistiu ao Thor, sabe que Loki foi jogado no espaço cósmico após uma tensa batalha com seu irmão (o personagem-título). Para grande parte do público, principalmente aqueles que estão acostumados aos comics da Marvel, isso não foi visto como o fim do personagem. O que de fato não foi, pois ele realmente reaparece no início de Os Vingadores, tentando mostrar que não estava para brincadeiras.  

Se o personagem Loki parecia fraco para engendrar um plano de domínio do Planeta Terra, pelo menos para aqueles que o conheceram somente pelo filme Thor, sua estrondosa chegada, acompanhada de curiosos artefatos bélicos e o domínio da mente de dois importantes personagens, o Dr. Erik Selvig (Stellan Skarsgard) e o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), prometeram um bom duelo entre o bem e o mal. Por trás de toda coragem, havia o apoio dos Chitari, uma raça de alienígenas com força e poder de destruição.
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A produção teve o desafio de consolidar diversos componentes, como também de produzir um legítimo exemplar que agradasse o habitual público dos cinemas e que saciasse a legião de nerds, devoradores de comics e sujeitos afins, e, a julgar pelo sucesso de bilheteria, logo na primeira semana, e pela impressões que tive durante a sessão, entendo que o objetivo foi alcançado.

Com eficientes cenas de reapresentação dos personagens centrais, o filme caminha com reserva no primeiro ato, sem, contudo, tornar-se entediante, graças ao texto afiado e ao tempo tecnicamente correto destinado às cenas. 


Com essa introdução sagaz e uma inegável qualidade técnica, o filme foi conquistando os espectadores, tornando-se, a partir do segundo ato, um entretenimento bastante agradável.

Algo que me pareceu arriscado foi a entrega da direção ao, até então, pouco expressivo Joss Whedon, que tem pouca experiência no cinema, tendo como principal trabalho em tela grande o fraco Serenity (idem, 2005). Seu trabalho se concentrava em roteiros e direção de séries de TV, como Buffy - A Caça-Vampiros (Buffy, 1996-2003), Angel - O Caça-Vampiros (Angel, 1999-2004) e Firefly (idem, 2002,2003). Os fatores que devem ter contribuído para sua escolha podem ser atribuídos ao seu vasto e seguro conhecimento acerca da trajetória de cada um dos heróis da Marvel, como também seu trabalho na cultuada série em quadrinhos Os Surpreendentes X-Men.

Se isto parece pouco, talvez tenha sido um grande chute no escuro mesmo. Porém, o importante é que o diretor provou competência e capacidade de dividir bem o universo grandioso de cada personagem, acertando na dose de aparição dos heróis, assim como na oscilação entre os momentos cômicos e  dramáticos.

Com relação aos atores, o destaque ficou com o carismático Robert Downey Jr., que, a despeito de sua projeção no cinema, foi o que mais se mostrou à vontade nas cenas, tirando de letra a desenvoltura necessária ao personagem (provavelmente ele já está no piloto automático).

O ator Tom Hiddleston, inseguro e pouco eficaz no outro filme, perdeu os receios e suou a camisa para ficar mais ameaçador no papel, provavelmente por ter se entusiasmado com o roteiro e se conscientizado de que o tom insosso adotado no trabalho anterior não se encaixaria nas proporções fantásticas de Os Vingadores. Não entrará para galeria de grandes vilões do cinema, mas cumpriu a cartilha como um bom intérprete.



A belíssima Scarlett Johansson, sabendo que seus atributos físicos pesaram na sua contratação para o papel da Viúva Negra, não se inibiu com isto e fez bom uso do corpão e do rosto lindo com muita propriedade. Chris Evans e Chris Hemsworth ficaram no meio termo adequado aos galãs de cinema, embora Evans tenha demonstrado maior preparo para convencer no deslocamento temporal de seu personagem. O talentoso Mark Ruffalo se desprendeu do tom melancólico dado por Eric Bana e Edward Norton nas outras versões do Hulk (talvez inspirados em Bill Bixby, da série de TV) e se saiu bem com o leve cinismo utilizado na composição de seu Bruce Banner.

Destaque também para a segura performance de Jeremy Renner e para a sincera emoção que o equilibrado Clark Gregg deu ao seu Agente Coulson.




Todo aparato refletiu num bom roteiro, sem nenhuma grande idéia, em que foram eliminados os delírios e estrondos comuns nas produções do gênero, o que garantiu que o enredo transcorresse em solo seguro e, infelizmente, com algumas banalidades no decorrer da trama.

Descontado esse ponto, a minha opinião é a de que houve um encontro muito acertado de todos os itens envolvidos nesse filme.

Não é possível agradar a todos, mas cientes de que a linguagem das histórias em quadrinhos, tal como acontece nos livros, sempre precisa de adaptação para o cinema, o filme se revela como um entretenimento de primeira, deixando muitos com vontade de bis.


Trailers:






terça-feira, 1 de maio de 2012

É Tempo de Recomeçar

Por Flávio Junio Nascimento, do Cineprise.



Certos de que a arte cinematográfica não teria futuro, Auguste e Louis Lumière, considerados os pais do cinema — apesar da autoria do cinematógrafo pertencer ao francês Léon Bouly, que perdeu a patente para seus compatriotas, enxergavam para a invenção captadora e projetora de imagens apenas como um instrumento com restrito valor científico, sem fins comerciais.

Ao subestimarem o potencial da máquina, não imaginavam que a primeira projeção pública em 1895 em terras francesas entrasse para a história e resultasse no surgimento da considerada Sétima Arte, atraindo avassaladoramente a atenção da mídia da época. Com o passar dos tempos, fortalecida pelos aprimoramentos tecnológicos, desde a sonorização, à cor e ao refinamento na textura das imagens, a Sétima Arte acabou se tornando não somente um importante salto para a modernidade e uma ferramenta econômica capaz de movimentar milhões, elevando os nomes de seus envolvidos ao status de ícones, mas também um audacioso instrumento que permitia ao público submergir em um universo ficcional, outrora duelando contra a realidade ou vez ou outra se completando efusivamente. Uma série de emoções com efeitos catárticos é despertada na plateia como resultado desta interação entre o real e o fantasioso, como parte do processo cognitivo.

Meu primeiro contato com o cinema se deu aos cinco anos de idade quando da exibição do longa 7 Faces of Dr. Lao de George Pal de 1964. Frequentemente exibido na TV brasileira na década de oitenta, o filme narrava a história de um velho homem chinês que viajava de cidade em cidade com seu circo itinerante, composto por atrações fantásticas e misteriosas. Com seu jeito peculiar de agir, o Dr. Lao do título promoveu um alvoroço numa pequena localidade do Arizona, apresentando uma visão de mundo diferente para os habitantes, a qual defendia que as aparências nem sempre é o que contavam. Anos se passaram e a paixão pelo mundo da Sétima Arte aumentou com o tempo, e ao mesmo o gosto foi ficando mais apurado e refinado, abrindo-se para produções de outros pólos cinematográficos, fora da indústria de Hollywood.

Até meados de 2010, o falar sobre cinema se resumia a comentar com amigos resenhas feitas por jornalistas de renome no país, como Rubens Ewald Filho, Ana Maria Bahiana, Pablo Vilaça e Isabela Boscov. Foi quando em março do citado ano, inspirado no blog pessoal de um amigo, Gilvan Martelo — responsável pelo ótimo Enigma do Martelo, que nasceu o desejo de produzir algo do gênero, que funcionasse como uma revista eletrônica contextualizada, reunindo em um mesmo local: críticas; atualidades; curiosidades e comentários sobre o mundo da Sétima Arte — com toda a sua grandiosidade. Assim surgiu o Oivalf (anagrama de Flávio), um blog pessoal contendo um pouco sobre tudo o que antes apenas comentava nas rodas de cinéfilos. Inicialmente centrando-se em produções mais antigas, a página passou por diversos estágios até chegar ao formato que almejava e paralelamente foi atraindo a atenção de conhecidos e desconhecidos. Em agosto de 2011, já completamente personalizada, surgiu a oportunidade de concorrer com diversos trabalhos de todo o país ao Top Blog 2011, uma premiação voltada para a blogosfera.  (continue lendo...)


sábado, 21 de abril de 2012

Thor


Talvez seja a ampla expectativa criada em torno da estréia de Os Vingadores (The Avengers, 2012) a responsável pelo resultado mediano da grande produção Thor (idem, 2011). Sem dúvida que o longa teve uma produção digna de verdadeiro arrasa-quarteirão, mas a história morna e a ausência de ao menos uma cena de grande impacto impediram que a primeira parte da franquia causasse entusiasmo nos espectadores. 

Funcionando como uma apresentação de um dos personagens principais do grande lançamento de 2012, assim como foi o caso de Capitão América (Captain America: The First Avenger, 2011), Thor teve o compromisso de ser um bom entretenimento, sem vontade alguma de arriscar numa ousadia e incorrer num possível fracasso. Desta forma, não foi um estrondo, mas também não resultou num filme qualquer. Podemos dizer que ficou mais parecido com um piloto de série de TV. Algo que identificamos o esmero e a seriedade, porém, constatamos que, por ser cinema, poderia ser muito mais.

Apesar de as cenas não exigirem verossímil e habilidosa interpretação dramática, o australiano Chris Hemsworth se sai bem no papel-título e consegue tirar bom proveito de todos os momentos de seu personagem. Assim, seu carisma e seu adequado tom de interpretação em cada cena tornaram-se elementos importantes para não ofuscá-lo diante da grandiosa história e do elenco com atores de peso. 

Dando vida ao arrogante e poderoso filho de um cultuado rei (Anthony Hopkins),  Hemsworth nos apresenta um Thor impulsivo, justiceiro e desmedido, o que leva seu pai a retirar seus poderes e bani-lo de seu planeta, condenando-o a ser um mortal no Planeta Terra. Nesta circunstância, ele conhece a pesquisadora (Natalie Portman) que defende a existência de outros mundos nos espaço intergaláctico, fazendo com que, nesse contexto, o herói caia à sua frente (literalmente) como uma boa oportunidade de provar suas teorias.



SPOILER:

O problema é que amor sugerido entre os dois fica muito forçado e não convence de forma alguma, principalmente pelo fato de que, pelo menos como ficou instaurado na montagem, Thor não passou mais que dois dias na Terra. Se fosse um flerte, mas não, o roteiro quis nos convencer daquele amor que transforma, que impacta, que enaltece, um amor que fez o grandão lutar para  não destruir as criaturas que viviam ameaçando o reino de seu pai. A mudança fica mais patética ainda quando sabemos que esse exato desejo de destruição foi o motivo que levou seu heróico pai a expulsá-lo do planeta.

Talvez, a mudança se justificaria se o herói tivesse sofrido um amontoado de crises que abalassem sua razão: a expulsão de seu planeta, a perda de seus super poderes na terra (não ter conseguido levantar seu martelo foi um trauma), o fato de ter acreditado na morte de seu pai (e depois ter descoberto que foi enganado pelo irmão), a "Cisne Negro" ter sido sua primera paixão...  Mas isso tudo só se instauraria com o desenvolivmento de um lado dramático para (e pelo) ator, o que não era a proposta do filme, tampouco uma habilidade de Hemsworth. Risco demais para uma produção que integra um megaprojeto.

FIM DO SPOILER.


Os demais integrantes do elenco seguem a cartilha como bons atores e executam personagens dentro do esperado, sem nenhuma estrondosa interpretação. A coisa fica tão dentro do trivial que Tom Hiddleston fica entre o caricatural e o pouco expressivo, fazendo com que a ponta de Jeremy Renner se torne algo muito mais interessante que o papel do vilão. E também não posso deixar de mencionar o quão fracos são os personagens femininos, deixando evidente que Rene Russo e Natalie Portman pouco tiveram a mostrar.

Pois bem, com os personagens de Jeremy Renner e Scarlett Johansson jogados de qualquer jeito neste Thor e em O Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, 2010), respectivamente, com os lançamentos e os resultados rasoáveis de Thor e de Capitão América, com o sucesso da triloga de O Homem de Ferro, com Mark Ruffalo assumindo o personagem de Edward Norton (ou do Eric Bana), com os links criados nas cenas pós-créditos finais de cada filme, vamos nos preparar para o grande motivo de tanta coisa: Os Vingadores!


sábado, 7 de abril de 2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O Caçador (Chugyeogja, 2008)


Como estamos acostumados ao padrão norte-americano para filmes de ação, podemos sentir, a princípio, uma certa repulsa pela proposta sul-coreana.

Aceitei o quase desafio de assistir ao intenso O Caçador (Chugyeogja, 2008), um filme que apresenta uma estética similar ao do produto hollywoodiano, mas que reserva algumas surpresas (nem sempre boas) destoantes daquelas que estamos acostumados a ver no estilo ocidental.

Vamos à sinopse: um cafetão, meio camarada, meio pilantra,  está preocupado com o sumiço de duas de suas garotas, mas imagina que os desaparecimentos estejam relacionados com o tráfico de mulheres para prostituição em outros países. Precisando equilibrar suas contas, ele obriga sua melhor garota a fazer um programa de última hora, desprezando o fato de ela estar se tratando de uma gripe. Resignada, a moça, que é mãe de uma garotinha muito esperta, sai de casa e vai fazer seu serviço, sem saber que estava indo para residência de um cruel matador em séries. Quando esta também desaparece, o cafetão, que já foi um policial, resolve seguir os passos da garota para saber o que havia acontecido.

Podemos identificar alguns elementos que demonstram a intenção de ganhar o mercado internacional, como os clichês presentes nas produções do gênero, tais como o tratamento de ineficiência dado à polícia, a existência de autoridades obstinadas com a boa imagem perante a imprensa, o personagem central na velha concepção de um ex-policial decadente que corre contra o tempo, a prostituta de bom coração que trabalha para sustentar sua filha pequena, as cenas de perseguição pelas escuras ruas de uma metrópole e, por fim, um serial killer frio e vingativo.


Porém, ao mesmo tempo que visualizamos esses pontos que aproximam o filme do cinemão, somos surpreendidos com uma linguagem que quebra o ritmo das sequências e nos fazem questionar se estamos diante de algo que valha a pena continuar assistindo.

A óbvia tentativa de fazer graça é empregada exatamente em cenas que deveriam ser tratadas com mais seriedade, pelo menos dentro das regras do ocidente, ao passo que o sério é jogado em cenas inacreditavelmente risíveis.

À exceção do serial killer, que se abriga nas oscilantes características de um demente,  e da prostituta, que é atacada logo nos primeiros momentos do filme, os demais personagem surgem como caricaturas que perambulam num mundo farsesco.

Se as cenas cômicas (todas sem graça) não agradam, o que podemos dizer dos momentos de extrema violência? Poucas vezes o cinema norte-americano foi tão ousado com o grafismo explícito utilizado em O Caçador,  que não poupa os espectadores do realismo e da agressividade visual.


Acho que o mundo ocidental gosta de redenção, e talvez seja a ausência de compaixão com os personagens (e com o próprio público) que nos traga uma aversão à forma de desenvolvimento e de conclusão empregados nesse filme de ação coreano.

Existem também aqueles momentos em que os personagens agem como tolos e seguem caminhos difíceis de se acreditar, mas que, ante a insistência, terminamos por concordar com aquele jeito confuso de se resolver as questões.

Estou disposto a encarar outro filme dessa safra coreana para entender melhor a narrativa utilizada, afinal, assisti a um outro filme coreano, o bem humorado O Hospedeiro (Gwoemul, 2006), que mistura ação, terror e crítica política (difícil, não?) e que conseguiu combinar rasoáveis efeitos digitais com uma história bem amarrada.

Importante ressaltar que, após o caminho trêfego, conseguimos respirar aliviados por chegar ao fim da sessão e pensar: a história tem sentido... Só não foi contada da forma que esperávamos.
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