sábado, 29 de dezembro de 2012

Hardware: O Destruidor do Futuro


Sem destaque nas telas de cinema aqui do Brasil, o filme Hardware - O Destruidor do Futuro (Hardware, 1990) fez sucesso no segmento home video e se tornou cult para uma legião de fãs do gênero ficção-científica.

O visual bem elaborado acertou em cheio na sensação opressiva do mundo pós-apocalíptico retratado na história, transmitindo bem a insegurança dos personagens e a necessidade de transformar seus lares em fortalezas.

A história se passa num futuro incerto, em que as pessoas precisam se adaptar ao que restou após uma guerra nuclear, buscando se proteger da radiação, das chuvas ácidas e das tempestades de areia. Sem muita noção do que se passa em outros arredores, o clima de desconfiança faz com que as pessoas vivam isoladas, transformando suas moradias em ambientes frios, escuros, cheios de máquinas.


Aqueles que se aventuram a andar pelo mundo quase desértico recolhem peças e informações para os que optaram por passar a maior parte do tempo nos seus fortes. Numa cena de agradável fotografia e enquadramento de câmera, um andarilho misterioso recolhe partes de um robô completamente destroçado e espalhado pela areia, levando-o para vender na cidade mais próxima. O amontoado de metais é comprado por Jill (Stacey Travis), uma bela artista plástica, que resolve aproveitar o material e fazer uma escultura com a cabeça do robô. 

O que a moça não imaginava é que ela estava diante de um protótipo Mark 13, uma máquina criada pelos militares para controlar qualquer tipo de rebeldia por parte da população. O robô tinha a capacidade de se auto-recompor com sua avançada tecnologia, podendo executar a programação pela qual foi concebido: matar qualquer ser humano.


Quando Jill percebe que crânio cibernético já havia se apoderado de várias peças e metais à sua volta, tendo inclusive eliminado uma vítima de forma brutal, ela recorre ao seu namorado valentão, interpretado por Dylan McDermott, o protagonista da premiada série de TV O Desafio (The Practice, 1997-2002), mas já era um pouco tarde. A máquina estava em avançado estágio de reconstituição e apta a estraçalhar toda carne humana à sua frente. Equipado com sensores digitais e infra-vermelho, Mark 13 era um equipamento bélico capaz de se deslocar com destreza, podendo enxergar até na mais negra escuridão. Não por acaso, o filme começa com um provérbio bíblico: "Nenhuma carne será poupada".


A trilha sonora tem a música Ther Order Of Death, do Public Image Ltd., e faz uma conexão eficaz com a densidadade de vários momentos do filme. Além de Travis e McDermott (que atualmente está no ótimo seriado American Horror Story, 2011-2012), o elenco traz o ator irlandês John Lynch e o roqueiro Iggy Pop, no interessante papel de um radialista cheio de personalidade.


O filme teve seus efeitos especiais premiados no Festival de Cinema Fantástico de Avoriaz, na França.








domingo, 23 de dezembro de 2012

Máquina de Vingança


Foi difícil encontrar imagens e maiores informações sobre o filme Máquina de Vingança (Steel and Lace, 1991) pela internet (leia-se by Google).

Antigo, lançado diretamente em vídeo aqui no Brasil, sem atores famosos e com um aspecto datado, o filme causa surpresa com seu argumento criativo e seu desenvolvimento empolgante. É a velha história da pessoa do bem que, inconformada com as falhas da justiça, decide resolver um fato funesto da forma que lhe convém. 

Apesar do mal acabamento, eu recomendo que você assista a esse exemplar cheio de boas intenções, se for exibido em alguma emissora de televisão. Até o DVD não é fácil de se encontrar. Bem, eu baixei em um torrent pouco semeado, e o arquivo veio com uma qualidade deprimente.

Uma bela pianista é violentada por um playboy e se suicida com o resultado do julgamento que inocenta o rico rapaz. Incorformado com a situação, o irmão da moça, que é um cientista, resolve transformá-la em um andróide, trazendo a vítima de volta à vida e sedenta por vingança. Pelas noites sombrias da grande cidade, o robô caça o rapaz e seus três comparsas, executando um a um com requintes de crueldade.



O filme é progatonizado pela loira Clare Wren, que não fez quase nada expressivo em sua carreira. Os nomes conhecidos são de Bruce Davidson, de Short Cuts - Cenas da Vida (1993), e de David Naughton, o Lobisomen Americano em Londres (An American Werewolf in London, 1981). A mocinha (sim, a protagonista não é a mocinha) é vivida pela bonitinha Stacy Haiduk, que participou de 193 capítulos do novelão The Young and the Restless, exibido ininterruptamente desde 1973 na TV americana, e atuou no interessante SeaQuest DSV, seriado de TV exibido em 1993 e 1994.




Existem produções que se salvam pelo final bem concebido, e este Steel and Lace é uma chance de se conferir o que é uma cena bem sacada, que faz um gancho com algo mencionado dispersamente no início do filme.

Efeitos especiais irregulares, maquiagem mal cuidada e roteiro capenga deverão ser relevados, caso esteja disposto a gostar do filme e a ter um bom entretenimento. Não sei se existe a expressão, mas vamos lá: um trash de primeira!



 

sábado, 22 de dezembro de 2012

10 Vezes Johnny Deep


                                    
  • A Hora do Pesadelo - A Nightmare on Elm Street (1984)
  • Edward Mãos de Tesoura - Edward Scissorhands (1990)
  • Ed Wood - Idem (1994)
  • Medo e Delírio - Fear and Loathing in Las Vegas (1998)
  • A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça - Sleepy Hollow (1999)
  • Piratas do Caribe: A Maldição da Pérola Negra - Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl (2003)
  • A Fantástica Fábrica de Chocolate - Charlie and the Chocolate Factory (2005)
  • Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet - Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street (2007)
  • Alice no País das Maravilhas - Alice in Wonderland (2010)- The Mad Hatter
  • Sombras da Noite - Dark Shadows (2012) 

Ilustração: Jeff Victor

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

250 Filmes em um Vídeo

Os membros cadastrados no IMDb (Internet Movie Database) escolheram, por votação, os melhores 250 filmes de todos os tempos. De posse da lista, o site promoveu a edição de várias cenas memoráveis em um único vídeo.  Claro que alguém vai sentir falta de um ou outro exemplar, mas não deixa de ser interessante identificar, ainda que em poucos segundos, alguns filmes que deixaram suas marcas no mundo cinematográfico.
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O vídeo tem dois minutos e meio. Se quiser ler a lista completa, segue o link da página.







sábado, 1 de dezembro de 2012

A Aparição (The Apparition, 2012)

Assista ao trailer e sinta-se dispensado de ver o filme.


As poucas cenas de maior impacto e criatividade são mostradas no teaser oficial do filme, talvez para chamar a atenção do público, considerando que este filme não tem outros elementos para despertar interesses.

Bem, arrumaram três jovens atores que tiveram bons papéis em filmes recentes do cinemão: Ashley Greene (linda e boa atriz), que participou de todos os filmes da saga Crespúsculo (Twiligh, 2008-2012); Sebastian Stan, de Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger, 2011); e Tom Felton, o Draco da saga Harry Potter (2001-2011); mas nenhum deles ainda tem um nome forte o bastante para arrebanhar um público significativo. 

O início do filme nos dá a impressão de que a sessão promete, porém, com pouco desenvolvimento, o descrédito fica inevitável diante de uma narrativa frágil e cenas de uma mesmice sem tamanho. As famigeradas cenas do trailer vão passando e nos mostrando que não há muita coisa além disso.



"Há uma teoria científica que defende que os eventos paranormais são produtos da mente humana e que os fantasmas somente existem quando se acredita neles". É mais ou menos isso que o filme propõe e é exatamente disso que o filme foge. No longa, não existe uma construção para demonstrar que o paranormal pode ser produzido pelo pensamento, pelo temor, pela irracional; muito pelo contrário, a entidade da história age sem restrições, quando bem entende, com quem bem entende (até com um cachorrinho que é uma graça), estejam os personagens acreditando ou não naquilo.



Três estudantes, dois rapazes e uma bela garota (Julianna Guill, do filme de terror Altitude, 2010) resolvem captar energia sobrenatural, utilizando arrojados equipamentos, com o intuito de ficarem famosos com a comprovação de uma polêmica teoria. O problema é que o experimento dá muito certo e a força fantasmagórica faz um estrago no laboratório. Um certo tempo se passa e um dos rapazes está iniciando uma vida a dois com sua belíssima namorada. Nada é falado sobre o assunto da experiência científica até que estranhos fenômenos começam a perturbar a tranquila vida do jovem casal. A partir de então, a sucessão de clichês toma conta da situação, o que nos coloca diante de uma história de terror com cenas copiadas de outros filmes e outras sem méritos.


Tem uma câmera de circuito de segurança que é possuída pelo fantasma...   

Quando terminar a sessão, pergunte: para que serviu a primeira cena do filme? Acreditem, o trailer mostra quase tudo de menos ruim no filme, até a cena final (#prontofalei).  






sexta-feira, 23 de novembro de 2012

007 - Operação Skyfall


Sean Connery, um ator do qual eu sou fã, foi uma excelente escolha para iniciar a saga do agente secreto criado por Ian Fleming. Como o famoso James Bond, de codinome 007, o astro provou seu talento e conduziu três filmes da série (um deles não faz parte da franquia oficial) com carisma e segurança. O ícone deixou sua marca ao imprimir um jeito debochado e paquerador no agente, sem, contudo, perder a elegância e a destreza necessárias à composição de um espião de primeira linha.

Ian Fleming não aprovou a escolha de Connery, um ator escocês, para interpretar o personagem, visto que o criador do agente queria o inglês Roger Moore para papel. Porém, Moore estava protagonizando uma série de TV de grande sucesso no momento, O Santo (The Saint, 1962–1969), e não teve chances de rescindir seu contrato televisivo. Descartado o santo, o escritor pediu que o papel fosse oferecido a Cary Grant, também inglês, alegando que este era mais requintado e tinha maior projeção no mundo cinematográfico. Mas os produtores foram firmes e contrataram Sean Connery para o ser o 007. Com o resultado do longa, a objeção deve ter se esvaído, pois o filme teve um estrondoso sucesso e rendeu uma arrecadação muito superior ao investimento.


Após Sean Connery, cinco atores já tiveram a proeza de interpretar o tenaz agente do serviço de espionagem britânico MI6 (Military Intelligence - Section 6): o australiano George Lazenby, que fez somente um filme; o inglês Sir Roger Moore, que embora bem sucedido, deu um tom mais leve ao personagem (e protagonizou cenas mirabolantes e difíceis de se acreditar); Thimothy Dalton, ator britânico nascido no País de Gales, que não brilhou, mas que também não foi um fiasco, e que não participou de um terceiro filme por ter se envolvido em projetos no teatro; Pierce Brosnan, um ator irlandês que só não entrou na frente de Dalton por estar comprometido com um trabalho de sucesso na TV (Remington Steel, 1982-1987), e que, na minha opinião, foi a melhor escolha após Sean Connery. O jeito cínico e elegante de Brosnan foi trabalhado de forma a tornar o herói terno e viril o bastante para seduzir as mulheres, como também ágil e seguro para lidar com os homens; e, por fim, o atual dono do posto, o inglês Daniel Craig, que apesar de ter dividido opiniões quando foi escolhido, deu um novo vigor ao herói e recuperou o desgaste que a franquia vinha sofrendo com os últimos filmes de seu antecessor.

Os filmes protagonizados por Sean Connery, hoje, figuram na galeria de clássicos ou de memoráveis exemplares do cinema, seja por cenas isoladas, seja por todo conjunto. Com relação ao único longa de George Lazenby, podemos considerar que ao menos foi uma história bem contada, com roteiro eficiente e um protagonista mediano. O problema é que as comparações foram inevitáveis, pois Lazenby substituiu um senhor ator e, apesar de ter sido convidado para o filme seguinte, não teve condições para repetir o papel. Com isto, Roger Moore, o queridinho de Fleming (já falecido nesta época), foi convidado novamente e pode aceitar o papel. E não é que o ator caiu no gosto do público? Por outro lado, embora tenha brilhado em grande parte do tempo, é incrível como os filmes protagonizados por Moore envelheceram; da mesma forma que os filmes de Timothy Dalton, um ator que esbanjou talento, ficaram datados.

Porém, nessas contradições da vida, foi o mesmo ótimo Pierce Brosnan que quase afundou a franquia do agente secreto galã.

O problema é que os dois últimos filmes protagonizados pelo ator foram para um lado difícil de se engolir, causando risos até em alguns fãs mais fervorosos da saga. 007 - O Mundo Não É O Bastante (The World Is Not Enough, 1999) não convenceu e 007 - Um Novo Dia Para Morrer (Die Another Day, 2002) ficou sofrível com a cena de surf na geleira derretida e com o carro invísível, sem mencionar que a bela e oscarizada Halle Berry só serviu para ser bolinada, jogada e capturada como a bond girl da vez.

Então, foi com grande surpresa e satisfação que recebemos as vigorosas mundanças na franquia com Casino Royale (idem, 2006), que substituiu Brosnan por Daniel Craig e empregou maior realismo nas cenas de luta. Conduzido pelo talentoso diretor Martin Campbell, que já tinha dirigido o ótimo 007 Contra Goldeney (Goldeneye, 1995), o novo filme reelaborou a conduta do herói e trabalhou cenas de ação que causaram bastante impacto, sem incorrer no ridículo dos dois últimos filmes de Brosnan.

Os fãs sempre criam expectativas ante a produção de uma nova aventura, que precisam trabalhar muito bem o vilão (um personagem que deve ser tão forte e empolgante como o herói), escolher com acerto a atriz que terá o privilégio de ser a bond girl (Eva Green - linda! - não quis ser chamada de bond girl, alegando que sua personagem não era uma mulher como as outras), trazer uma música tema empolgante (constantemente muito bem escolhida) e apresentar as surpresas tecnológicas que ajudarão o agente nos momentos mais apreensivos. Logicamente que o encaixe de cenas de ação impactante num bom roteiro também se revela como trunfos para o sucesso.


Apesar da controvesa escolha de Daniel Craig para o papel, é certo que o ator provou segurança e propriedades para encarar um dos melhores filmes do agente secreto James Bond. Sim, 007 - Operação Skyfall (Skyfall, 2012) foi um desafio para equipe de produção e para por em prova o talento do ator. Como alguém poderia imaginar o Bond, James Bond como um beberrão barbado, incapaz de acertar um tiro num alvo a poucos metros? Somente por meio de um roteiro bem elaborado, uma direção segura e uma interpretação visceral do protagonista.

Durante uma intensa perseguição, com direito a manobras automobilísticas de tirar o fôlego, o nosso herói se vê em cima de um trem em movimento,  numa luta mano a mano com um perigoso assassino profissional. Precisando recuperar um super importante pacote de dados cibernéticos, M. (de novo, a estupenda Judi Dench) ordena que a bela agente Eve (Naomi Harris) atire no inimigo antes que perca os dois de vista. Sem visão e segurança, a moça hesita e informa não ser possível acertar o alvo, mas M., numa tomada de decisão atroz, exige o disparo. Resultado: é o bom e velho Bond que leva o tiro, caindo do trem em movimento, rumo a um gélido e extenso rio.



Dado como morto, o MI6 (Military Intelligence - Section 6) inicia o processo de aposentadoria de M., em virtude da exposição que o roubo de dados estava promovendo no serviço, citando, muito sem real consideração, o incidente de Bond.

Diante de ataques cibernéticos e explosões pungentes, o herói retorna do limbo para ajudar sua arrogante chefe que, no fundo, tem uma relação especial com Bond. Não por acaso, numa cena muito interessante, ao ouvir o codinome da implacável senhora, o herói se refere a ela como bitch.

Despreparado, angustiado e sedento por vingança, James Bond parte para uma missão de perigo extremo, tendo de lidar com um dos melhores inimigos criados pela saga, o terrorista virtual Silva (um fenomenal Javier Bardem).




A história é longa e tem vários momentos de diferentes arranjos e concepções, condensando com boa dosagem de personagens ricos em suas dimensões, assim como cenários e locações aprazíveis. O filme dá um considerável destaque à personagem M., traz uma partner interessante para Bond e apresenta o o novo Q. da era digital. Acertados foram os momentos em que antigos filmes tiveram sutis homenagens.

Não tenham dúvida e confiram este exemplar  que certamente entrará para a lista dos melhores filmes do personagem criado por Ian Fleming.


Notas: (a) nem prestem muita atenção na bond girl de Bérénice Marlohe, pois a moça - bonita e exótica - entra e sai de cena sem deixar muita lembrança.
            (b) divirtam-se com a interpretação digna de um Oscar de Javier Bardem e não levem muito a sério tudo o que o personagem afirma.


            

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Possessão




O que fazer para um filme de terror emplacar na atualidade? Ou você quebra as tendências e apresenta um exemplar ímpar, como fizeram os acertivos O Chamado (The Ring, 2002),  A Bruxa de Blair (Blair Witch Project, 1999), O Exorcista (The Exorcist, 1973)(1), entre outros; ou manda ver num trailer bem feito com a introdução de que o longa é baseado em fatos reais.

É claro que não é tão simples assim. O que tento dizer é que os filmes desse gênero, muitas vezes, recorrem à fuleira chamada de fato verídico apenas para impressionar os ingênuos sedentos por sustos. O Exorcista foi um fenômeno e realmente foi inspirado em um fato real. Notaram a sutileza? Inspirado. Diretor e produção deixaram claro que a história real serviu apenas de base para o filme, pois o roteiro seguiu um caminho criativo bem diferente do fato original. 



Em outra postagem, comentei que, numa determinada época, quando descobri que alguns filmes somente se diziam ser baseados em fatos reais, quando, na verdade, eram obras de ficção, fiquei impressionado com a ousadia e a falta de respeito. Que bobagem de minha parte! Ao retornar à minha visão de que é o entretenimento é a primordial intenção do cinema, passei a aceitar os prólogos e os teasers armados para pegar os desavisados, afinal, tudo faz parte do divertido mundo da ilusão cinematográfica.



A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project, 1999), Mamãe é de Morte (Serial Mom, 1994), Os Estranhos (The Strangers, 2008) e Contatos de Quarto Grau (The Fourth Kind, 2009) fizeram isso; enganaram os espectadores. Os dois primeiros até agradaram pela jogada de marketing e pela maestria da direção, respectivamente; mas o dois últimos serviram de pura enganação, da forma mais descarada possível.

Tanta conversa para dizer que Possessão (The Possession, 2012)(2), dirigido por Ole Bornedal, pouco me entusiasmou ao ser divulgado como um filme de terror inspirado em fatos reais, apesar do bem sacado teaser(3) que correu pela internet. E também porque a chamda me remeteu, de certa forma, a uma possível cópia do clássico O Exorcista.

Elenco mediano, garota bonitinha, ambientação sem muitos atrativos... Qual a razão de ir ao cinema com grandes expectativas?

Jeffrey Dean Morgan interpreta um homem divorciado que decide comprar uma casa para ter um bom lar e se aproximar mais de suas filhas adolescentes (quase crianças). No entusiasmo de organizar a nova morada, ele vai com a filha mais nova (Natasha Calis, carismática) em um bazar de garagem e compra uma estranha caixa de madeira.



O objeto inicialmente desperta uma grande curiosidade na menina, mas o sentimento se torna uma obsessão capaz de fazê-la ouvir vozes e ter visões sobrenaturais. Quando a garota fica arredia e agressiva, o pai procura a ex-mulher (Kyra Sedgwick), que não se convence do problema da filha. Quando os dois constatam que algo realmente perturbador está acontecendo, é tarde demais, pois a garota já estava possuída por um espírito do mal, há tempos guardado naquela caixa. Desesperados, eles concluem que seria necessário um exorcismo.




Com produção do ícone Sam Raimi, diretor da trilogia Homem-Aranha (Spider-Man, 2002, 2004 e 2007) e criador do clássico The Evil Dead (1981), o filme conseguiu uma boa bilheteria em sua semana de estréia nos Estados Unidos, mas parece que por aqui as coisas não foram tão promissoras.

Notas: (1) Ando citando demais esses filmes, eu sei...
            (2) Haja falta de criatividade para um título!
            (3) Muito inteteressante essa cena de divulgação do filme. Veja abaixo.






sábado, 27 de outubro de 2012

A Entidade (Sinister, 2012)




O público que gosta de filmes de terror está sempre esperando por alguma produção que rompa o senso comum e inicie uma nova safra de filmes vigorosos e empolgantes.

Foi assim com o novo clássico O Chamado (The Ring, 2002), o surpreendente Os Outros (The Others, 2001), o sarcástico Pânico (Scream, 1996) e o esculhambado  A Bruxa de Blair (Blair Witch Project, 1999), além dos clássicos que se solidificaram na galeria de memoráveis filmes de terror como O Exorcista (The Exorcist, 1973) e Os Inocentes (The Innocents, 1961).

O que esses filmes fizeram? Ora, causaram impacto e tiveram o mote copiado por diversas outras produções na sequência.



Ao assistir ao trailer e ler as resenhas de A Entidade (Sinister, 2012), pensei que estaria diante de mais uma mesmice do gênero, mas eu me enganei. O filme não se encaixa nesse amontoado de produções que mostram sangues e gritos, pensando que isso é o bastante para o terror, pelo contrário, existe uma proposta atraente e um bem elaborado trabalho com as imagens. Porém, não vai muito além disso, principalmente quando constatamos que, após o segundo ato, muitas cenas foram armadas para tão somente assustar deliberadamente a plateia.

Apesar do bom argumento, a falha na estratégia de envolvimento do público com os segredos da trama, o trabalho irregular de continuidade, como também as cenas muito explícitas do terceiro ato, foram o bastante para naufragar algo que parecia promissor.



Ficou faltando aquele elemento que leva o espectador pelo mesmo caminho de dúvida e apreensão do protagonista. É lógico que, na ilha de edição, um filme precisa ter cenas movidas ou removidas, porém, os pulos de situações e a sensação de repetição de algum momento prejudicaram esse gradativo e importante envolvimento do público com as sequências. Ou seja, mal resultado na edição e montagem do longa (ou roteiro mal escrito mesmo, vai saber...)

Um escritor (Ethan Hawke), que se tornou famoso com seu primeiro livro de mistério, pretende vasculhar uma trágica história para sentir novamente o gosto do prestígio e do sucesso com mais um trabalho. Dez anos se passaram e o ambicioso pai de família, com filhos, esposa e contas a pagar, não consegue mais emplacar alguma obra no mundo literário. Certo de que a linha de trabalho do seu único best-seller, pautado na investigação de um polêmico assassinato, ainda tinha fôlego para reavivar sua carreira, o homem não hesita em se mudar com sua família para a casa onde ocorreram mortes violentas e ainda não esclarecidas.


Sem contar para sua esposa que aquele local era o ambiente em que quatro membros de uma família foram encontrados enforcados numa árvore da propriedade, ele inicia seu trabalho de pesquisa, organização de arquivos e redação, pensando que o lugar da tragédia poderia potencializar sua inspiração (ou mesmo ser contado no livro como um ato de coragem e estilo). No entanto, como os assassinatos, que tinham o agravante do desaparecimento de uma garotinha, possuiam algo muito mais sinistro do que a polícia local tinha apurado, o escritor descobre que havia cometido o maior erro de sua vida ao se mudar para aquela casa inóspita.

Barulhos estranhos, pesadelos do filho madrugada adentro, desenhos estranhos da meninha do casal e algumas trovoadas são os clichês bem vindos para esse tipo de filme, porém, quando a história não se sustenta, acaba se tornando uma mera artimanha.

Ethan Hawke, o jovem promissor do divertido Que Garota, Que Noite (Mystery Date, 1991), o talentoso ator de Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995), o indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Dia de Treinamento (Training Day, 2001), demonstra sinais de cansaço que não parecem se concentrar somente no trabalho de interpretação, o que nos entendia ainda mais, dispensando-nos da contagiante tarefa de torcer pelo protagonista.


Alguns dias depois de ver esse filme, a gente até pensa que a história é bacana e que se tivessem melhorado aquela cena, ou se tivessem trabalhado aquele recurso, ou se tivessem eliminado os fios soltos, ou se tivessem se empenhado no roteiro, ou se... Mas essas coisas não aconteceram, então, o estrago já está feito.

Apesar das (poucas) decepções, considerando que o filme está acima de outros recentes exemplares da categoria, eu recomendo uma sessão (em casa).





domingo, 21 de outubro de 2012

Mulheres Guerreiras do Cinema

Não mexam com essas garotas, pois elas são muito mais fortes que muitos heróis de filmes de ação.



Kate Beckinsale, a combativa vampira Selene que, para proteger seu amado, desafia sua própria raça e trava uma batalha com lobisomens. Anjos da Noite: Underworld (2003),  Anjos da Noite: A Evolução (2006). Anjos da Noite: A Rebelião (2009) e Anjos da Noite: O Despertar (2012).





Jodie Foster, a radialista Erica Bain que, após perder seu namorado num ataque de gangues, sai às ruas pelas madrugadas, fazendo justiça com as próprias mãos.  Valente (The Brave One, 2007)




Milla Jovovich é a bela Alice, uma jovem vítima de várias experiências biogênicas, que torna-se uma máquina humana de combate contra uma megacorporação. Resident Evil: O Hóspede Maldito (2002),  Resident Evil: Apocalipse (2004), Resident Evil 3: A Extinção (2007), Resident Evil 4: Recomeço (2010) e Resident Evil 5: Retribuição (2012).




Jennifer Garner, como a furiosa Elektra,  uma jovem que usa seu rigoroso  treinamento de ninjutsu para vingar a morte de seu pai e combater fortes inimigos. Elektra (idem, 2004)


Carrie-Anne Moss é Trinity, uma mulher ágil que combate um sistema artificial capaz de manipular a mente das pessoas, o Matrix, usando vários conhecimentos técnicos e sua habilidade para lutas para conduzir as pessoas de volta à realidade. Matrix (1999), Matrix Reloaded (2003) e  Matrix Evolution (também 2003).

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Quem tem medo de Kathy Bates?


Na foto acima, após usar uma marreta para quebrar o pé do seu escritor favorito, a desequilibrada Anne Marie Wilkes (Kathy Bates) murmura de forma doce e poética: "Ah, meu Deus! Eu te amo tanto!", enquanto o homem urra de dor e agonia. Uma cena e tanto!

Lembro-me de que, no ano em que Kathy Bates recebeu o Oscar de Melhor Atriz, alguns filmes só entravam em cartaz no Brasil após a Cerimônia de Premiação. Acho que foi o caso de Louca Obsessão (Misery, 1990), pois algumas pessoas comentaram que não sabiam quem era aquela atriz que subiu ao palco para receber o prêmio. Quem conferiu o trabalho de Bates no filme em questão, um significativo exemplar de suspense dirigido por Rob Reiner, entendeu perfeitamente a razão de a atriz ter levado o prêmio. Seu desempenho foi impecável e, por conseguinte, o reconhecimento mais do que merecido. Vivendo um papel complexo, a ex-enfermeira Anne Marie Wilkes, a atriz soube apresentar os vários estados de humor de sua personagem (apatia, candura, felicidade, ferocidade, amargura etc.) com convicção e dosagens corretas, nunca incorrendo no exagero ou no estereótipo de psicopatas. A parceria com James Caan, de Licença para Amar até a Meia-Noite (Cinderella Liberty, 1973), foi muito bem sucedida, rendendo bons momentos de debates, "galanteios" e confrontos. Também no elenco desse ótimo filme, ainda que num papel pouco expressivo, temos a honra de poder (re)ver Lauren Bacall, de Teu nome é mulher (Designing Woman, 1957).

A história tem um enredo (aparentemente) simples: passando por uma cidadezinha isolada, que sofria uma nevasca, um escritor de sucesso sofre um acidente de carro e é socorrido por uma ex-enfermeira que o leva para sua casa, sabendo que poderia cuidar dos ferimentos da vítima. Quando ela descobre que está diante do autor dos livros que tem a personagem Misery (daí o título original do filme), a heroína preferida da solitária mulher, ela mal consegue conter sua alegria. O problema é quando ela lê alguns manuscritos e descobre que o autor iria encerrar a série com a morte da personagem. Então ela resolve fazê-lo prisioneiro a fim de que ele reescreva a história, logicamente de outro jeito. Inicia-se então o grande duelo de argumentos entre um inteligente escritor e sua fã ensandecida.
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Hoje, Bates tem grande projeção no cinema e vem acumulando excelentes trabalhos ininterruptamente. Um filme que tem seu nome nos créditos já ganha um ponto de credibilidade, pelo menos nas cenas em que a atriz aparece (lembram-se de Diabolique - idem, 1996?). Se quiserem conferir outra ótima atuação de Bates, assistam Eclipse Total (Dolores Claiborn, 1995), onde ela faz um bom dueto com Jennifer Jason-Leigh.

No sarcástico e amargo As Confissões de Schmidt (About Schmidt, 2002), a atriz surpreende como uma ex-hippie (se é que existe ex para isto) que assedia descaradamente o personagem de Jack Nickolson (que dá um show neste filme), incorrendo no absurdo de aparecer completamente nua. Ela realmente se adentra nas suas personagens...

Atualmente, assim como outros grandes nomes do cinema, a atriz tem trabalhado em seriados televisivos concomitantemente aos seus papéis no cinema.

Após uma participação agradável entre os anos de 2010 e 2011 na série The Office (2005-2012), Bates tem se dedicado com vigor ao seriado Harry's Law (2011-2012), no qual ela protagoniza uma advogada experiente que, após ser demitida, resolve abrir um escritório não muito convencional. Por este papel, a atriz foi indicada ao Emmy, na categoria de Melhor Atriz em Série Dramática.


sábado, 6 de outubro de 2012

Cartazes em Cartoon















 Brinquedo Assassino, 1988
 Blade Runner: O Caçador de Andróides, 1982
 O Exterminador do Futuro, 1980
 O Quinto Elemento, 1997
 O Planeta dos Macacos, 2001
 Os Fantasmas se Divertem, 1988
 Batman: O Retorno, 1992
 Hellboy, 2004
 Freddy vs. Jason, 2003
 The Rocky Horror Picture Show, 1975
Os Caçadores da Arca Perdida, 1981


Cartazes criados pelo ilustrador canadense Ïve Bastrash. Desenhista desde criança, em seu site, ele se mostra fascinado pela cultura pop e apresenta um estilo que mescla a arte da Pixar com os traços de Genndy Tartakovsky, o criador de “Samurai Jack”.

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