sexta-feira, 23 de novembro de 2012

007 - Operação Skyfall


Sean Connery, um ator do qual eu sou fã, foi uma excelente escolha para iniciar a saga do agente secreto criado por Ian Fleming. Como o famoso James Bond, de codinome 007, o astro provou seu talento e conduziu três filmes da série (um deles não faz parte da franquia oficial) com carisma e segurança. O ícone deixou sua marca ao imprimir um jeito debochado e paquerador no agente, sem, contudo, perder a elegância e a destreza necessárias à composição de um espião de primeira linha.

Ian Fleming não aprovou a escolha de Connery, um ator escocês, para interpretar o personagem, visto que o criador do agente queria o inglês Roger Moore para papel. Porém, Moore estava protagonizando uma série de TV de grande sucesso no momento, O Santo (The Saint, 1962–1969), e não teve chances de rescindir seu contrato televisivo. Descartado o santo, o escritor pediu que o papel fosse oferecido a Cary Grant, também inglês, alegando que este era mais requintado e tinha maior projeção no mundo cinematográfico. Mas os produtores foram firmes e contrataram Sean Connery para o ser o 007. Com o resultado do longa, a objeção deve ter se esvaído, pois o filme teve um estrondoso sucesso e rendeu uma arrecadação muito superior ao investimento.


Após Sean Connery, cinco atores já tiveram a proeza de interpretar o tenaz agente do serviço de espionagem britânico MI6 (Military Intelligence - Section 6): o australiano George Lazenby, que fez somente um filme; o inglês Sir Roger Moore, que embora bem sucedido, deu um tom mais leve ao personagem (e protagonizou cenas mirabolantes e difíceis de se acreditar); Thimothy Dalton, ator britânico nascido no País de Gales, que não brilhou, mas que também não foi um fiasco, e que não participou de um terceiro filme por ter se envolvido em projetos no teatro; Pierce Brosnan, um ator irlandês que só não entrou na frente de Dalton por estar comprometido com um trabalho de sucesso na TV (Remington Steel, 1982-1987), e que, na minha opinião, foi a melhor escolha após Sean Connery. O jeito cínico e elegante de Brosnan foi trabalhado de forma a tornar o herói terno e viril o bastante para seduzir as mulheres, como também ágil e seguro para lidar com os homens; e, por fim, o atual dono do posto, o inglês Daniel Craig, que apesar de ter dividido opiniões quando foi escolhido, deu um novo vigor ao herói e recuperou o desgaste que a franquia vinha sofrendo com os últimos filmes de seu antecessor.

Os filmes protagonizados por Sean Connery, hoje, figuram na galeria de clássicos ou de memoráveis exemplares do cinema, seja por cenas isoladas, seja por todo conjunto. Com relação ao único longa de George Lazenby, podemos considerar que ao menos foi uma história bem contada, com roteiro eficiente e um protagonista mediano. O problema é que as comparações foram inevitáveis, pois Lazenby substituiu um senhor ator e, apesar de ter sido convidado para o filme seguinte, não teve condições para repetir o papel. Com isto, Roger Moore, o queridinho de Fleming (já falecido nesta época), foi convidado novamente e pode aceitar o papel. E não é que o ator caiu no gosto do público? Por outro lado, embora tenha brilhado em grande parte do tempo, é incrível como os filmes protagonizados por Moore envelheceram; da mesma forma que os filmes de Timothy Dalton, um ator que esbanjou talento, ficaram datados.

Porém, nessas contradições da vida, foi o mesmo ótimo Pierce Brosnan que quase afundou a franquia do agente secreto galã.

O problema é que os dois últimos filmes protagonizados pelo ator foram para um lado difícil de se engolir, causando risos até em alguns fãs mais fervorosos da saga. 007 - O Mundo Não É O Bastante (The World Is Not Enough, 1999) não convenceu e 007 - Um Novo Dia Para Morrer (Die Another Day, 2002) ficou sofrível com a cena de surf na geleira derretida e com o carro invísível, sem mencionar que a bela e oscarizada Halle Berry só serviu para ser bolinada, jogada e capturada como a bond girl da vez.

Então, foi com grande surpresa e satisfação que recebemos as vigorosas mundanças na franquia com Casino Royale (idem, 2006), que substituiu Brosnan por Daniel Craig e empregou maior realismo nas cenas de luta. Conduzido pelo talentoso diretor Martin Campbell, que já tinha dirigido o ótimo 007 Contra Goldeney (Goldeneye, 1995), o novo filme reelaborou a conduta do herói e trabalhou cenas de ação que causaram bastante impacto, sem incorrer no ridículo dos dois últimos filmes de Brosnan.

Os fãs sempre criam expectativas ante a produção de uma nova aventura, que precisam trabalhar muito bem o vilão (um personagem que deve ser tão forte e empolgante como o herói), escolher com acerto a atriz que terá o privilégio de ser a bond girl (Eva Green - linda! - não quis ser chamada de bond girl, alegando que sua personagem não era uma mulher como as outras), trazer uma música tema empolgante (constantemente muito bem escolhida) e apresentar as surpresas tecnológicas que ajudarão o agente nos momentos mais apreensivos. Logicamente que o encaixe de cenas de ação impactante num bom roteiro também se revela como trunfos para o sucesso.


Apesar da controvesa escolha de Daniel Craig para o papel, é certo que o ator provou segurança e propriedades para encarar um dos melhores filmes do agente secreto James Bond. Sim, 007 - Operação Skyfall (Skyfall, 2012) foi um desafio para equipe de produção e para por em prova o talento do ator. Como alguém poderia imaginar o Bond, James Bond como um beberrão barbado, incapaz de acertar um tiro num alvo a poucos metros? Somente por meio de um roteiro bem elaborado, uma direção segura e uma interpretação visceral do protagonista.

Durante uma intensa perseguição, com direito a manobras automobilísticas de tirar o fôlego, o nosso herói se vê em cima de um trem em movimento,  numa luta mano a mano com um perigoso assassino profissional. Precisando recuperar um super importante pacote de dados cibernéticos, M. (de novo, a estupenda Judi Dench) ordena que a bela agente Eve (Naomi Harris) atire no inimigo antes que perca os dois de vista. Sem visão e segurança, a moça hesita e informa não ser possível acertar o alvo, mas M., numa tomada de decisão atroz, exige o disparo. Resultado: é o bom e velho Bond que leva o tiro, caindo do trem em movimento, rumo a um gélido e extenso rio.



Dado como morto, o MI6 (Military Intelligence - Section 6) inicia o processo de aposentadoria de M., em virtude da exposição que o roubo de dados estava promovendo no serviço, citando, muito sem real consideração, o incidente de Bond.

Diante de ataques cibernéticos e explosões pungentes, o herói retorna do limbo para ajudar sua arrogante chefe que, no fundo, tem uma relação especial com Bond. Não por acaso, numa cena muito interessante, ao ouvir o codinome da implacável senhora, o herói se refere a ela como bitch.

Despreparado, angustiado e sedento por vingança, James Bond parte para uma missão de perigo extremo, tendo de lidar com um dos melhores inimigos criados pela saga, o terrorista virtual Silva (um fenomenal Javier Bardem).




A história é longa e tem vários momentos de diferentes arranjos e concepções, condensando com boa dosagem de personagens ricos em suas dimensões, assim como cenários e locações aprazíveis. O filme dá um considerável destaque à personagem M., traz uma partner interessante para Bond e apresenta o o novo Q. da era digital. Acertados foram os momentos em que antigos filmes tiveram sutis homenagens.

Não tenham dúvida e confiram este exemplar  que certamente entrará para a lista dos melhores filmes do personagem criado por Ian Fleming.


Notas: (a) nem prestem muita atenção na bond girl de Bérénice Marlohe, pois a moça - bonita e exótica - entra e sai de cena sem deixar muita lembrança.
            (b) divirtam-se com a interpretação digna de um Oscar de Javier Bardem e não levem muito a sério tudo o que o personagem afirma.


            

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Possessão




O que fazer para um filme de terror emplacar na atualidade? Ou você quebra as tendências e apresenta um exemplar ímpar, como fizeram os acertivos O Chamado (The Ring, 2002),  A Bruxa de Blair (Blair Witch Project, 1999), O Exorcista (The Exorcist, 1973)(1), entre outros; ou manda ver num trailer bem feito com a introdução de que o longa é baseado em fatos reais.

É claro que não é tão simples assim. O que tento dizer é que os filmes desse gênero, muitas vezes, recorrem à fuleira chamada de fato verídico apenas para impressionar os ingênuos sedentos por sustos. O Exorcista foi um fenômeno e realmente foi inspirado em um fato real. Notaram a sutileza? Inspirado. Diretor e produção deixaram claro que a história real serviu apenas de base para o filme, pois o roteiro seguiu um caminho criativo bem diferente do fato original. 



Em outra postagem, comentei que, numa determinada época, quando descobri que alguns filmes somente se diziam ser baseados em fatos reais, quando, na verdade, eram obras de ficção, fiquei impressionado com a ousadia e a falta de respeito. Que bobagem de minha parte! Ao retornar à minha visão de que é o entretenimento é a primordial intenção do cinema, passei a aceitar os prólogos e os teasers armados para pegar os desavisados, afinal, tudo faz parte do divertido mundo da ilusão cinematográfica.



A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project, 1999), Mamãe é de Morte (Serial Mom, 1994), Os Estranhos (The Strangers, 2008) e Contatos de Quarto Grau (The Fourth Kind, 2009) fizeram isso; enganaram os espectadores. Os dois primeiros até agradaram pela jogada de marketing e pela maestria da direção, respectivamente; mas o dois últimos serviram de pura enganação, da forma mais descarada possível.

Tanta conversa para dizer que Possessão (The Possession, 2012)(2), dirigido por Ole Bornedal, pouco me entusiasmou ao ser divulgado como um filme de terror inspirado em fatos reais, apesar do bem sacado teaser(3) que correu pela internet. E também porque a chamda me remeteu, de certa forma, a uma possível cópia do clássico O Exorcista.

Elenco mediano, garota bonitinha, ambientação sem muitos atrativos... Qual a razão de ir ao cinema com grandes expectativas?

Jeffrey Dean Morgan interpreta um homem divorciado que decide comprar uma casa para ter um bom lar e se aproximar mais de suas filhas adolescentes (quase crianças). No entusiasmo de organizar a nova morada, ele vai com a filha mais nova (Natasha Calis, carismática) em um bazar de garagem e compra uma estranha caixa de madeira.



O objeto inicialmente desperta uma grande curiosidade na menina, mas o sentimento se torna uma obsessão capaz de fazê-la ouvir vozes e ter visões sobrenaturais. Quando a garota fica arredia e agressiva, o pai procura a ex-mulher (Kyra Sedgwick), que não se convence do problema da filha. Quando os dois constatam que algo realmente perturbador está acontecendo, é tarde demais, pois a garota já estava possuída por um espírito do mal, há tempos guardado naquela caixa. Desesperados, eles concluem que seria necessário um exorcismo.




Com produção do ícone Sam Raimi, diretor da trilogia Homem-Aranha (Spider-Man, 2002, 2004 e 2007) e criador do clássico The Evil Dead (1981), o filme conseguiu uma boa bilheteria em sua semana de estréia nos Estados Unidos, mas parece que por aqui as coisas não foram tão promissoras.

Notas: (1) Ando citando demais esses filmes, eu sei...
            (2) Haja falta de criatividade para um título!
            (3) Muito inteteressante essa cena de divulgação do filme. Veja abaixo.