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domingo, 18 de setembro de 2016

Ferris Bueller's Day Off



Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller's Day Off, 1986) se tornou um verdadeiro cult em meio a tantos filmes direcionados ao público adolescente nos anos 80. A ânsia por uma sequência foi grande, mas, assim como outras produções brilhantemente dirigidas por John Hughes, não houve uma continuação para aplacar o desejo de milhares de fãs.

Talvez tenha sido um grande acerto, uma vez que temos exemplos de filmes que se arriscaram em sequências e que não conseguiram sequer fazer sombra ao filme original.

O diretor John Hughes (1950-2009) soube retratar com maestria e impecável humor várias histórias dos adolescentes daquela década, conseguindo agradar a espectadores de muitos países e de diversas faixas etárias. 

Assim como Curtindo a Vida Adoidado, outros filmes de sucesso do diretor não tiveram continuações e, talvez por isto, eles tenham ficado tão bem guardados na memória de quem os assistiu. Gatinhas e Gatões (Sixteen Candles, 1984), com Molly Ringwald e Anthony Michael Hall, Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985), com Judd Nelson, Emilio Estevez, Anthony Michael Hall e, mais uma vez, a musa teen Molly Ringwald, e o hilário Mulher Nota 1000 (Weird Science, 1985), com Anthony Michael Hall (de novo) e a super gata daquele momento Kelly LeBrock, todos dirigidos por Hughes, são bons exemplares de comédias adolescentes que ditaram regras para outras produções da época.



John Hughes ainda produziu e roteirizou dois filmes adolescentes que se tornaram referências no gênero comédia romântica de adolescentes: A Garota de Rosa-Shocking (Pretty in Pink, 1986), que transformou Molly Ringwald numa estrela dos anos 80,  e Alguém Muito Especial (Some Kind of Wonderful, 1987), com Eric Stoltz, Lea Thompson e Mary Stuart Masterson.

Entre todos esses pequenos clássicos, não há dúvidas de que Curtindo a Vida Adoidado se sobressaiu como um dos mais divertidos e perspicazes da década, conseguindo o feito de entreter o público do início ao fim, sem escorregar em cenas repetidas ou vazias. Com uma história leve e cheia de diálogos inspirados, o filme não envelheceu, mantendo com primor sua abordagem despretensiosa acerca de jovens peraltas, desencontros familiares e ambientes escolares enfadonhos. Podemos dizer também que foi um encontro acertado de pessoas e momento: protagonistas e elenco de apoio talentosos,  roteiro bem executado e, claro, um diretor sagaz .



Neste filme, Ferris Bueller (Matthew Broderick) é um adolescente esperto e muito cínico que se finge de doente para matar um dia de aula e passar uma tarde de aventuras com  sua namorada (Mia Sara) e seu melhor amigo, o descompensado Cameron (Alan Ruck). No entanto, a facilidade que ele tinha de enganar seus ingênuos pais não se aplicava em duas pessoas sedentas por desmascará-lo: a irmã ciumenta e problemática (Jennifer Grey, de Dirty Dance, 1987) e o diretor vilão e atrapalhado, eficaz e histrionicamente interpretado por Jeffrey Jones.





Como grande parte da jornada foi no improviso, Ferris passa por muitas peripécias, levando os três adolescentes a hilárias situações de fugas, calotes e disfarces, sem nunca comprometer o bom humor do protagonista. É quase um anti-herói que poderia ter caído na crítica negativa do público, mas o carisma de Broderick garantiram a Ferris Bueller um lugar de respeito entre os caçadores de aventuras de plantão. 





No decorrer dos passeios, o filme tem um momento antológico, no qual Broderick sobe num carro alegórico de uma parada alemã e dubla "Twist and Shout", dos Beatles, numa cena citada e lembrada com muito entusiasmo, até por quem não conferiu o longa na íntegra.




Recentemente, surgiu um teaser na internet que mostrava Ferris em sua vida adulta, o que causou certa especulação sobre uma retomada do projeto, porém, o vídeo tratava-se tão somente de uma campanha de marketing de um veículo Honda. Ainda assim, o vídeo reacendeu a probabilidade de um revival para Curtindo a Vida Adoidado, afinal, Matthew Broderick, em entrevista, desconversou sobre seu interesse na continuação do longa.

Diante da chama reacesa, bem que podiam produzir um Curtindo a Vida Adulta Adoidado, com um Ferris Bueller maduro procurando pelo amigo solteirão e hipocondríaco e pela ex-namorada Sloane, hoje casada e cheia de regras, para viverem mais um dia de aventura e ruptura nos compromissos.

domingo, 23 de setembro de 2012

Happy Ever Afters (2009)



Comédias inglesas têm aquele humor ácido, peculiar ao modo de vida aristocrático e sem muito escracho, razão pela qual, num primeiro momento, pensei que Felizes Para Sempre? (Happy Ever Afters, 2009) fosse uma produção do país da Rainha Elizabeth II.

Sem referência alguma sobre o longa, comecei a ver o filme e gostei, quase que imediatamente, das situações hilárias criadas para duas recepções de casamento realizadas num mesmo prédio.


Uma das noivas é Maura, uma mãe solteira que se encontra endividada e prestes a perder seu apartamento. Nessa situação, ela conhece o africano Wilson e visualiza a chance de ganhar um bom dinheiro, casando-se com o estrangeiro, que está prestes a ser deportado por estar ilegalmente no país e que tem o dinheiro necessário à quitação da dívida de Maura. Seria um casamento de aparências, que nem lua-de-mel teria, visto que a namorada do rapaz também tinha conhecimento do jogo e participaria da festa de casamento. Para Maura, embora o casamento pudesse garantir a permanência de Wilson no país, somente o dinheiro lhe interessava. O problema é que ela não teve tempo (ou vontade) de explicar a real situação para sua filha peralta, tampouco paciência para ler o caderno de informações básicas sobre a vida do noivo...



No outro salão, temos o drama do inseguro e estabanado Freddie, que está  se casando novamente com a dondoca Sophie após um divórcio repensado e uma reconciliação frágil. Confusa e hipocondríaca, Sophie segue mais a vontade de seus pais possessivos que o próprio desejo, tornando sua festa de casamento uma sucessão de gafes e desencontros.

E é nessa situação que Freddie e Maura se conhecem. Ambos participando de cerimônias próprias que não tinham a essência necessária a um verdadeiro casamento.

Num cenário de segredos frouxos, os encontros ao acaso de Freddie e Maura, repletos de confusões e acidentes, dão a impressão de que eles estavam tendo um caso, quando, na realidade, tudo não passava da natureza tumultada de ambos. No entanto, a desordem causada pelos dois acaba incomodando Sophie, a noiva histérica;  Molly, a filha levada que acreditava estar ganhando um novo pai (Wilson); o padre, um homem ingênuo com forte temor do pecado; e os oficiais da imigração, dois personagens caricatos, o que coloca em risco o final feliz de dois casamentos farsescos.


Protagonizado por Sally Hawkins e Tom Riley, atores ingleses, essa produção da Irlanda torna-se um ótimo programa para quem pretende se divertir com um humor bem sacado, ao melhor estilo das comédias de erros.

Hawkins, de Simplesmente Feliz (Happy-Go-Lucky, 2008), mostra segurança e destreza na composição de uma personagem engraçada, enquanto que a irlandesa Jade Yourell (a Sophie) mantem-se correta ao interpretar uma mulher falsamente equilibrada, garantindo bons momentos nas suas transições de humor.



segunda-feira, 14 de março de 2011

Em três momentos

O fotógrafo Howard Schatz, da Revista Vanity Fair, promoveu o projeto Actors in Character, em que ele convida atores renomados e sugere três momentos de atuação para fotografá-los. As proposições são feitas na hora e os atores devem improvisar. É claro que não se deve levar  as expressões faciais tão a sério, visto que, ao final, tudo soa como uma grande brincadeira.

Nesta divulgação, ele convidou cinco grandes atores para a dinâmica:  Hugh Laurie, Chloe Sevigny, Jason Schwartzman,  Jane Lynch e o Geoffrey Rush. Eu achei o resultado muito legal.

Vamos lá:

Hugh Laurie:
Esquerda: Você é um pai dedicado que, com sua esposa, acabou de sentar para jantar com sua filha de 15 anos, que está anunciando que está grávida. Centro: Você é um estilista na manhã de um grande desfile, descobrindo que nada na sua coleção está pronto ou fabuloso. Direita: Você é um membro do Parlamento Britânico, pomposo e fanfarrão, fazendo um discurso transmitido pela BBC, e está empolgado com o som da sua própria voz.

Chloe Sevigny:
Esquerda: Você é uma garotinha de 8 anos hiperativa e dramática no seu aniversário, ouvindo que o palhaço acaba de chegar. Centro: Você é uma mãe no recital de balé da filha de 7 anos, vendo ela executar uma adoravelmente imperfeita pirueta e uma praticamente impecável reverência. Direita: Você é está no último ano do colégio e, como seus pais estão no trabalho, está prestes a fazer sexo com seu namorado pela primeira vez, na hora em que a sua irmãzinha entra de repente do seu quarto.


Jason Schwartzman:
Esquerda: Você é Adam, um garoto de 5 anos que está sorrateiramente colocando seu rato de estimação na gaveta de calcinhas da sua irmã. Centro: Você é Lacey, a irmã de 7 anos, logo depois que abriu a gaveta. Direita: Você é Adam, escondido no armário da Lacey enquanto ela grita “ADAAAAAAAAAAM!!!”


Jane Lynch:

Esquerda: Você é uma criança engolindo uma colherada de remédio que sua mãe tinha dito que era gostoso, mas que agora ela diz que, se não tivesse gosto horrível, não funcionaria. Centro: Você está num jantar social com seus colegas de trabalho e suas esposas, e  está tentando sinalizar desesperadamente para o seu parceiro parar de falar tão abertamente sobre sua vida sexual. Direita: Você é uma esquiadoria que decidiu tentar  uma pista difícil e, agora, que não tem idéia de como parar, está indo diretamente para uma árvore.


Geoffrey Rush
Esquerda: Você é o treinador de uma boxeadora e está desesperadamente incentivando ela dizendo: “Ela fugiu com seu namorado! Ela sequestrou seu filho! Vai até lá e mate essa vaca!” Centro: Você está há 5 anos em um a vida de casado sedentário, porém conformista, protestando contra sua esposa: “Eu disse que você está Rubenesca. Não significa gorda. Significa… rubenesca!” Direita: Você tem 10 anos de idade e está num apartamento em andar alto, brincando de atirar com seu cachorro e uma bola tênis – que acabou de quicar janela afora, com seu cachorro em plena perseguição.


domingo, 7 de novembro de 2010

Piranha 3D

Vendo a falta de criatividade de algumas cenas do filme Piranha 3D (idem, 2010), lembrei-me de uma reportagem que li sobre a concepção de Missão Impossível 2 (Mission: Impossible II, 2000), em que foi relatada a prioridade das cenas de ação para se delinear o roteiro. Diferenças à parte, parece-me que Piranha 3D foi montado a partir dos objetos que seriam projetados na fuça do espectador. 
 Diálogos pouco inspirados, cenas copiadas de outros filmes e algumas interpretações risíveis  são partes dos acessórios para um verdadeiro show de mulheres peladas, cenas eróticas, música dançante e eficiente maquiagem. Não obstante, é possível assistir ao filme do início ao fim, podendo, ainda, se divertir. Acreditem...
O principal cartaz de divulgação é muito parecido com o pôster do cult e bem-sucedido Tubarão (Jaws, 1975). Não por acaso,  Richard Deyfruss, o astro  desta produção de Steven Spielberg,  faz uma ponta no primeiro ato de Piranha, numa tentativa de causar impacto dramático logo de início, como também numa forma de valorizar as chamadas para o cast. Acredito que os nomes de Ving Rhames, Christopher Lloyd e Dreyfuss serviram para isto. Sem falar na protagonista, a indicada e premiada Elisabeth Shue.
 
Os personagens habituais desse tipo de produção estão todos lá: os policiais corretos e protetores, a suposta namoradinha virgem que fica em perigo, as pessoas hedonistas que não se preocupam com os alertas e continuam na bandalheira, o jovem irresponsável que se mete em enrascada por causa dos hormônios, os palhaços que não levam nada a sério e as belas piranhas que aprontam todas e que nós já sabemos que irão morrer (não estou falando dos peixes).
Como se não bastasse tanto clichê e tanta falta de inspiração, ainda temos Lloyd, mais uma vez, fazendo o cientista maluco, num papel que serve somente para dar uns explicações básicas para lógica do filme.
Quando o filme for passar na TV paga, tirem as crianças da sala, pois a linda e escultural Kelly Brook protagoniza uma longa cena lésbica e esteticamente bem cuidada. Ah, mas o papel não é de lésbica, é apenas de uma garota que gosta de curtir diferentes momentos, se é que vocês me entendem...
Depois de muita descontração, música, dança, bebidas, um natural abalo císmico ocorrido nas profundezas do mar liberta criaturas demoníacas com sede de sangue e apetite voraz por carne (calma, eu ainda estou falando do filme Piranha). Na explicação científica do personagem de Lloyd, trata-se de um espécime tido como extinto há milhares de anos, mas que, por algum motivo, conseguiu sobreviver  abaixo do solo marítimo e se procriar (ah, não queiram entender...).  A partir de então, o azul contagiante do filme é tingido de vermelho para  a apresentação de um verdadeiro espetáculo de maquiagem (bem-feita) e de cenas cruéis ao estilo da franquia Jogos Mortais (Saw)
Além da diversão, dos recursos tecnológicos e da publicidade em torno do filme, a presença da belíssima e eficiente Elisabeth Shue também foi um motivo que me levou a conferir a produção. A prestigiada atriz ficou com o difícil papel de dar credibilidade às cenas e de impor o tom dramático nos momentos que precisavam ser críveis. As cenas com as peladas de plantão e com o cientista maluco são aquelas em que nos compadecemos com o esforço de Shue em parecer séria. Ao final, ela consegue.
Pelas fotos do Avant-Première, em que está registrado o clima de festa e sorrisos, ficamos certos de que atores e diretor não fizerm o filme com a intenção de parecer sério realmente (criticaram a gostosinha da Megan Fox que andou admitindo essas coisas em outro filme...), mas sim de propor um entretenimento sem maiores pretensões para o verão norte-americano.
Bem, apesar do tom da postagem, eu sugiro um conferida no filme. Vale a diversão.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

É muito bom rir

Eu gosto quando acontece de eu estar zapeando no controle remoto e uma determinada cena de filme me chama a atenção. É aquele momento em que a gente resolver parar e verificar do que se trata aquela composição que nos agradou. Muito bom quando eu sinto que estou gostando de continuar assistindo. Ótimo quando eu descubro que é o início de um bom filme. Melhor ainda quando eu tomo ciência de que o filme tem um elenco de primeira.
Foi dessa forma agradável que eu me deparei com a cena inicial de "De Bico Calado" (Keeping Mum, 2005). Trata-se de um filme inglês de apurado humor negro. Quase todas as vezes que resolvi assistir às comédias inglesas eu tive uma grata supresa (à exceção dos filmes daquele grupo vulgar chamado Monthy Python).

Só o início já tem uma sequência digna de se citar naqueles momentos em que nos lembramos de hilárias cenas do humor negro.

Um garota muito bonita está num vagão de trem, seguindo viagem, e observa as crianças que estão em sua cabine. Eu cheguei a pensar que a moça era a queridinha Courteney Thorne-Smith (a Alisson, de Melrose Place), mas era apenas uma atriz parecidíssima chamada Emilia Fox. Ela tem a expressão doce e se veste como uma lady. Enquanto isso, no vagão de bagagens, um inspetor descobre que um baú de passageiro está escorrendo sangue e fica horrorizado. Na cena seguinte, o inspetor e o cabineiro entram no vagão da moça e informam que encontraram dois corpos mutilados dentro do baú de sua propriedade, e indagam se ela sabia do que se tratava. A bela garota sorri com naturalidade e informa que os corpos eram de seu marido e da amante dele. Com o sorriso mais ingênuo possível, ela conclui que eles estava planejando uma fuga, então ela não tinha outra coisa a fazer senão executá-los.

Calma! Isso é só o início. Exatamente a primeira cena. Daí para frente, há uma passagem de anos (talvez uns 40) e somos levados para uma bucólica cidade no interior da Inglaterra, onde vive uma frustrada dona-de-casa (a elegante Kristin Scoth Thomas), seu marido (um reverendo anglicano), sua filha ninfomaníaca e seu filho que apanha todos os dias na escola.

O marido é ninguém menos que o divertido Rowan Atkinson (o Mr. Bean), fazendo o papel que ele executa em piloto automático: o bobão bom, desastrado e ingênuo.

Insatisfeita com o marido vigário, a confusa esposa vê no seu sedutor professor de golfe um momento em que ela poderia voltar a se sentir mais... Bem, como eu posso explicar isso? Digamos: mulher. Se é que vocês me entendem...

O professor é o saudoso Patrick Swayze (1952-2009) que, interpretando um norte-americano moderno e safado, abusa dos clichês e das caras de canastrão de forma impagável.

Pelo que eu tinha visto até então, eu imaginei que teria um certo e bom entretenimento, mas, quando entrou em cena a nova governanta do casal, eu percebi que iria adorar o filme até o fim.

Mostrando ao público, mais uma vez, que ter sido vencedora do Oscar de Melhor Atriz por "Primavera de uma Solteirona" (The Prime of Miss Jean Brodie, 1969) foi algo mais do que justo, Maggie Smith surge vigorosa como a excêntrica Grace Hawkins, a governanta que usa métodos pouco convencionais, mas extremamente eficazes, para resolver os problemas da família que a contratou.

A partir de então, Maggie rouba todas as cenas em que ela aparece, tendo como ótimos momentos aqueles em que ela contracena somente com Scott Thomas ou com Atkinson.

Eu nem sou muito de ver comédias, mas tenho um gosto especial por humor negro. O que eu sei é que eu ri em vários instantes e gostei muito do resultado do filme.

Fica a sugestão. Grandes nomes, grandes performances e diálogos naquele tom exato para nos fazer rir.

O que a cena inicial tem a ver com a grande parte do filme? É fácil imaginar, mas o melhor é a forma com que vamos tendo certeza de que Mrs. Hawkins tem uma "missão" a ser cumprida naquela pequena e bonita cidade inglesa.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Queime Depois de Ler

Joel e Ethan Coen se arriscaram em mais uma cilada para o público... E acertam de novo!
.Não tenho dúvidas de que "Queime Depois de Ler" (Burn after reading, USA, 2008) não é um filme para o grande público. Percebi várias pessoas saindo indignadas da sala de cinema após assistirem à exibição de mais um trabalho dos Coen.
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Sem fazer uma referência direta, visto a diferença incontestável dos cineastas, o filme me fez lembrar as palavras do grande mestre do suspense Alfred Hitchcock. Em certas obras, o cineasta não dirige somente o elenco, mas também o público. E, para mim, foi exatamente isto o que os Coen fizeram.
.Eles (não sei a razão, mas não gosto de citá-los como "os irmãos Coen") criaram uma trama instigante, mas bastante leve, nos apresentaram a vários personagens cativantes, deram um rumo absurdo ao roteiro e, na cena final, sentaram a marreta na cabeça dos espectadores. Alguém tem dúvidas de que eles poderiam fazer o que bem quisessem com aquela equipe primorosa?
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Muitos não apreciaram o ótimo "Onde os fracos não têm vez" (No Country for Old Men, USA, 2007), produção anterior dos Coen, visto que o filme, apesar do humor negro, teve um desenvolvimento muito tenso e foi encerrado da forma menos convencional possível. Foram criadas até comunidades na internet para debater os pontos "obscuros" do longa. Acredito que muitos não prestaram a devida atenção em diálogos - aparentemente evasivos -, tampouco no entrelaçamento de todas as cenas. Nada no filme foi feito por simples entretenimento... Para alguns, diante da análise "complicada" (e nem é tanto assim), é bem mais cômodo dizer que não gostou. Porém, respeito quem queira optar por este posicionamento. Cinema é assim mesmo... Eu não gostei nem um pouco do maçante "O Incrível Hulk" (The Incredible Hulk, USA, 2008), pois... Deixa pra lá!
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Eu adorei "Onde os fracos não têm vez" e torci por ele na Cerimônia do Oscar. E quem venceu?
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"Queime depois de ler", embora menos elaborado do que o filme anterior da dupla, também foi uma grata surpresa. Eu não esperava que o filme tomasse aquele caminho... Mais uma vez, eu fui "dirigido" com maestria pelos dois cineastas, eles levaram o público para onde queriam. Quem não estava preparado (ou acostumado com o estilo) levou uma bordoada mesmo. Sem direito a rir deliciosamente como fazem George Clooney e Frances McDormand na foto abaixo.
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O enredo não tem muitas complicações, senão vejamos: John Malkovich interpreta Osbourne Cox, um analista de informações da CIA que é demitido de seu ofício por fazer uso constante de bebidas alcóolicas. Irritado, ele refuta o argumento de seu superior, faz uma baderna "básica" (risos) e volta revoltado para sua casa. Numa situação como esta, ele assume mesmo seu gosto pela bebida e resolve escrever um livro de memórias. Sua esposa Katie (Tilda Swinton), fria e distante, fica contrariada com o fato e, para se resguardar, resolve contratar um advogado e se garantir financeiramente diante do iminente naufrágio do marido. Na realidade, ela não estava nem um pouco interessada na decadência humana de Osbourne, pois mantinha um caso com o investigador federal Harry Pfarrer (George Clooney), também casado com outra mulher (Elizabeth Marvel, uma atriz sem graça). Uma vez acostumados a esta trama, somos apresentados à personagem de Frances McDormand, a hilária Linda Litzke, a coordenadora de uma academia que pretende fazer uma série de cirurgias plásticas para ficar jovem e sexy. Ela tenta deseperadamente usar seu seguro saúde e descobre que o plano não cobre tratamentos estéticos. Há uma ótima cena em que Linda tenta fazer uma ligação e se depara com aqueles ridículos atendimentos digitais (Ooooooi!!!). Enquanto não fica perfeita, ela faz uso de um site de relacionamentos na internet e tem vários encontros (entre eles, com Pfarrer). Linda confidencia seus momentos com seu melhor amigo, Chad Feldheimer (Brad Pitt), o instrutor pancado da academia.
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O que uma história tem a ver com a outra? O CD com partes dos dados sigilosos de Osbourne é encontrado no banheiro da academia (mais tarde, ficamos sabendo como) e vai para as mãos de Linda e Chad. Eles descobrem que o conteúdo pode ser objeto de uma chantagem para conseguirem dinheiro fácil... E partem para o ataque! O problema é que os dois são tão ingênuos (para não dizer outra coisa) e acreditam que podem confrontar o desequilibrado (e irritado) Ousborne. Algo que também adorei: a Rússia e a passada Guerra Fria tornam-se o país e o fato histórico que comprovam a idiotice de Linda e Chad, trazendo ótimas seqüências para o longa.
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Pela sinopse, vocês perceberam que o elenco é formado por grandes astros. E eu nem citei , J.K. Simmons, David Rasche e Richard Jenkins. Mesmo em papéis menores, eles contribuem significativamente para o humor negro impecável do filme. Destaque para J.K. Simons (o ranzinza editor do jornal de Spider-Man 1, 2 e 3) que faz uso de sua cara de mal e de sua voz imponente para compor um personagem severo, mas que, num tom super acertado, nos dá a impressão (ou a certeza) de que o chefão da CIA, além de irônico e travesso, não estava nem um pouco interessado nas informações "sigilosas" passadas por seu agente de confiança (Rasche).

As vencedoras do Oscar, Tilda Swinton e Frances McDormand, têm a chance de comprovar, mais uma vez, o talento e o domínio sobre personagens variadas. Swinton, elegante como de costume, faz uso de seus expressivos olhos para interpretar uma mulher requintada e ligeiramente irônica. A expressão cínica e o leve sorriso de deboche da atriz, feitos no momento em que o marido lhe conta que vai escrever um livro de memórias, é um de seus admiráveis exemplos de técnica artística.
.Frances McDormand (que nunca decepciona seus fãs) dá um tom a mais na caricatura de sua personagem, mostrando desprendimento e humor ao tratar dos problemas de idade de Linda, e se torna uma figura muito divertida, cheia de caras e bocas.

George Clooney (de quem eu sou fã) tenta, mas, infelizmente, não fica impecável na interpretação do conquistador e desajeitado Harry Pfarrer. Contudo, a leve falha não compromete a atuação em circunstâncias mais "extremas", visto que o competente ator dramático se sai bem nos momentos súbitos do filme.
Curiosamente, no elenco masculino, as melhores composições de personagens ficaram por conta de dois atores insípidos (nem vou pedir perdão, é a minha opinião): Brad Pitt, que me parecia apenas um "astro" de olhos cativantes e talento curto; e John Malkovich, ator criterioso na escolha de seus papéis, mas que nunca havia me causado admiração. Os dois têm uma legião de admiradores, portanto, sei que meu conceito não defaz o conjunto da obra dos atores.
Acredito que a maioria do grande público se surpreendeu e adorou a performance tresloucada de Brad Pitt. E com razão: o ator abandonou o perfil de galã e não se censurou para nos apresentar a um dos personagens mais ridículos e carismáticos da galeria de patetas do cinema. Ele esteve ótimo do início ao fim. Penso que vou gostar mais dele nos próximos trabalhos.
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Apesar dos louvores para quase todos os artistas, o grande trunfo do filme ficou mesmo por conta de John Malkovich. O ator caprichou no olhar, nas oscilações de humor, nos tiques e na seriedade diante de cenas estapafúrdias durante toda a produção. Preciso admitir, apesar dos termos do parágrafo acima, que o personagem Ousbourne serviu para endossar o talento de Malkovich.

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Assistam sem medo e, caso não gostem, pensem nos brindes de interpretação dos atores deste filme. E não se esqueçam de que serão dirigidos para levar uma bordoada.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Chuck Norris das Índias

Nem sei o que comentar, acho que posso dizer tão somente que vale a pena dar uma conferida.
 
 

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ela não é uma graça?

A febre da série Pokémon já se esfriou, mas sempre haverá um lugar para se recordar as situações bem inspiradas desse anime.

No vídeo acima, temos o contagiante momento em que Jigglypuff executa a sua doce canção de ninar.

Cuidado para não dormir...