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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

La Casa Muda



O cinema norte-americano tem uma necessidade constante de adaptar sucessos de outros países, seja por uma boa história, como foi o caso de Perfume de Mulher (Scient of a Woman, 1992), seja pelo impacto de uma nova linguagem, como foi o caso de O Chamado (The Ring, 2002), seja pela vontade de reproduzir filmes ousados e de gosto duvidoso, como foi o caso do repugnante Violência Gratuita (Funny Games, 2007).

Com muito dinheiro circulando e ótimos profissionais no mercado, em alguns casos, os Estados Unidos conseguem superar o original. Cito como exemplo Os Homens que não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo, 2011), que ficou melhor que a produção sueca Män som hatar kvinnor, 2009. Temos também a situação em que o remake americano fica tão bom quanto o filme inspirador, como aconteceu em Deixe-me Entrar (Let Me In, 2009, UK/USA), refilmagem de outra produção sueca Deixe Ela Entrar (Låt den rätte komma in, 2008).

E temos até alguns exemplos em que a refilmagem não faz nem sombra ao filme de língua não inglesa. Nesse aspecto, temos Imagens do Além (Shutter, 2008) - alguém se lembra? - que foi uma completa perda de tempo e dinheiro. Realmente acreditaram que poderiam obter o sucesso do filme tailandês  Espíritos - A Morte Está ao Seu Lado (2004).


Nessa onda, temos mais uma tentativa de pegar um filme estrangeiro de baixo orçamento e transformar num sucesso. E eu não entendo como é que imaginaram que transformar o precário A Casa (La Casa Muda, 2010) em A Casa Silenciosa (Silent House, 2011) poderia render alguma coisa boa.

O filme uruguaio A Casa foi sucesso em vários festivais de cinema internacionais e chamou a atenção em Cannes, durante as exibições da Quinzena do Diretor, pelo fato de ser uma produção dirigida a um público local, mas que acabou ganhando projeção graças a fervorosos comentários feitos na internet. Ora, o que despertou a admiração do público e da crítica foi a questão de o filme ter sido rodado em apenas quatro dias e com uma câmera fotográfica (!). Ok! Foi com uma Cannon 5D que filma em Full HD. Mas não é uma filmadora, ora!


E para acrescentar notoriedade à produção de baixo custo, o diretor Gustavo Hernández teve a proeza de filmar A Casa num único plano, sem cortes e em tempo real, ou seja, passando a impressão de um take único, tal como foi feito no magnífico Festim Diabólico (Rope, 1948), do mestre Alfred Hitchcock. Completando os méritos, o filme contou uma história assustadora, baseada em fatos reais que ocorreram na década de 1940. 

Um pai, sua filha e um amigo chegam num antigo sobrado isolado no interior do Uruguai para iniciarem, no dia seguinte, um serviço de reforma da casa, que seria colocada à venda. Assim que anoitece, vozes, alucinações e muito barulho passam a incomodar as três pessoas, colocando a garota numa situação de isolamento e medo.

Não é legal? Sim, mas paremos de encher a bola do filme por aqui. A história nem é tão boa assim e o roteiro ficou capenga da metade para o final. Acontece que o sucesso se deve à genialidade de criação, afinal, produzir um filme com uma câmera fotográfica emprestada e com apenas alguns mil dólares é algo de se admirar.


Então uma produtora de Nova York e um diretor da Califórnia veem essa pequena pérola e resolvem fazer uma adaptação americana.

Com planejamento e recursos, o que tinha de notório foi por água abaixo. E ainda convidaram a bonitinha Elizabeth Olsen (irmã das famosas gêmes Mary-Kate e Ashley Olsen) para protagonizar o filme.

Resultado: um filme sem graça e com uma história confusa. A parte boa é que ficou sem legendas e em língua inglesa, facilitando a vida dos norte-americanos.






quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A Hora do Espanto (Fright Night, 2011)


Somente pelo trailer e por algumas fotos de divulgação, eu percebi que a refilmagem do pequeno clássico A Hora do Espanto (Fright Night, 1985) havia empreendido algumas significativas modificações na estrutura do longa original.

Sinal de problema? Talvez sim. O risco de o filme se tornar mais uma refilmagem assistível e esquecível era grande, posto que é sempre um trabalho árduo pegar uma produção que marcou época e tranformá-lo em algo atual, criativo e inovador.



Com certeza vocês viram os fiascos de outros que tentaram repetir o sucesso de filmes de terror das décadas de 70 e 80, tais como O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre: The Beginning, 2006), Halloween (idem, 2007), Sexta-Feira 13 (Friday The 13th, 2009) e A Hora do Pesadelo (Nightmare on Elm Street, 2010), e que não conseguiram fazer sombra ao impacto de suas obras inspiradoras.

Ainda bem que isto não aconteceu com o novo A Hora do Espanto (Fright Night, 2011). É certo que o filme não conseguiu o status de arrasa-quarteirão do filme de 1985, mas teve um bom resultado. Direção e produtores conseguiram emplacar uma trama ágil e reconfigurar os personagens para época atual, sem extrair, contudo, a aparentemente despretensão e graça do original.

O mote ficou o mesmo: um rapaz de classe média que tem sua vida virada de cabeça para baixo ao desconfiar dos estranhos hábitos de seu novo vizinho, descobrindo, após uma certa vigília, que o cara é um vampiro.

E não é um vampiro morno a la Crepúsculo, mas, sim, um homem sarcástico e cruel que não hesita em destruir aqueles que o incomodam.



No primeiro filme, enquanto o carismático William Regsdale deu um tom introspectivo e confuso ao personagem Charley, nesta refilmagem, o ator em ascensão Anton Yelchin assumiu um protagonista mais popular e desenvolto. Nessa mesma linha de mudança de perfil, a virgem insegura de Amanda Bearse, a namoradinha do filme anterior, foi substituída por uma loirinha mais determinada, aliás a bonitinha Imogen Poots.

Considerando que o papel da mãe do protagonista foi dado à excelente Toni Collette, já se era de esperar que a personagem tivesse mais destaque no novo filme.  Como de costume, a atriz brilhou.


O astro Colin Farrell foi uma escolha super acertada para o papel do antagonista, uma vez que o ator soube dosar charme, cinismo e maldade na medida certa para as várias facetas do vampirão sedutor. Fiquem atentos: Chris Sarandon, o vampiro de 1985, faz uma ponta relâmpago neste novo filme.




Porém, o contrário ocorreu na escolha de um ator bem mais jovem para assumir o papel do divertido Peter Vincent, o apresentador de um programa televisivo sobre vampirismo, defendido brilhantemente por Roddy McDowall no filme de 1985. O personagem é uma clara referência a duas figuras lendárias dos filmes de terror dos anos 50 e 60 (Peter Crushing e Vincent Price) e seu acumulado conhecimento sobre vampirismo ficou insípido na pele de David Tennant (o ator de Doctor Who, 2005-2010).


Eu falei de agilidade, certo? Pois é, isto é muito legal para que os filmes de hoje caiam no agrado do público, mas, por outro lado, acaba impedindo cenas mais longas e marcantes. Como por exemplo, a dança provocante e ameaçadora que Chris Sarandon usa para embalar (e capturar) Amanda Bearse na boate, neste novo A Hora do Espanto, não passou de um momento técnico, movimentado e nada sedutor.

Falando em técnica, a contenção no uso de efeitos digitais também me agradou, em especial, a cena que Anton, Imogem e Toni pegam o carro para fugir do vampiro malvado.

Para os fãs do primeiro filme, uma releitura obrigatória, e para o público que não teve acesso ao original, uma boa oportunidade de conferir a refilmagem e, depois, locar (ou baixar no Torrent - rs) o filme antigo. Virtudes e defeitos aparecerão, com certeza, em um ou em outro.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Bravura Indômita

Eu sinceramente gostaria de não torcer para Jeff Bridges ganhar o Oscar de Melhor Ator na Cerimônia deste ano, considerando que o astro já foi consagrado pela Academia e que já esteve sob os holofotes recentemente. Porém, não há como desconhecer o seu desempenho espetacular no filme Bravura Indômita (True Grit, 2010), em que interpreta o Agente Federal Cogburn, um policial beberrão, velho e desleixado,  irregular nos procedimentos, mas eficaz na maioria dos resultados. Além disso, assumir a releitura de um papel que proporcionou o único Oscar na carreira cinematográfica do ícone John Wayne, um dos maiores atores de filmes do Velho Oeste, poderia criar algum tipo de contenção num ator com menos bagagem, mas a tarefa foi tirada de letra pelo bom e velho Bridges, graças ao seu grande talento e à sua impecável técnica de atuação.



O resultado foi o que conferimos nas telas. Jeff Bridges corre o risco de ganhar o prêmio com louvor e causar aquela certa mágoa no público que gosta de ver premiações para aqueles que ainda não receberam a estatueta.
Eu assisto a todos os filmes de Joel e Ethan Cohen, até quando não tenho tanto apreço pela proposta,  pelo fato de ter me surpreendido e adorado a primeira vez que estive diante de uma produção desses irmãos-caras-de-pau, no bom sentido. Sempre saio do cinema certo de que estive diante de mais uma aula de cinema,  de entretenimento e  de uma boa dose de provocação.
No filme em questão, uma garota de 14 anos, inconformada com o assassinato injusto de seu pai, procura  um policial com fama de ser um matador implacável, intencionando contratá-lo para eliminar o bandido. Segura e determinada, ela negocia bens, enfrenta poderosos e se dirige até àquele homem com uma proposta fechada e sem negociações, com um detalhe: ela deveria estar junto na hora do acerto de contas.
A estreante Hailee Stenfeld, que interpreta a garota valente, tem grandes chances de vencer o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. O impacto de seu papel pode ser comparado ao mesmo que outras meninas tiveram em composições complexas para crianças, como Jodie Foster, Natalie Portman, Linda Blair, Isabelle Fuhrman e Anna Paquim.
 O elenco ainda conta com outras feras na interpretação: Barry Peeper, Matt Damon e Josh Brolin.

Nota no IMDb: 8.1.

domingo, 7 de novembro de 2010

Piranha 3D

Vendo a falta de criatividade de algumas cenas do filme Piranha 3D (idem, 2010), lembrei-me de uma reportagem que li sobre a concepção de Missão Impossível 2 (Mission: Impossible II, 2000), em que foi relatada a prioridade das cenas de ação para se delinear o roteiro. Diferenças à parte, parece-me que Piranha 3D foi montado a partir dos objetos que seriam projetados na fuça do espectador. 
 Diálogos pouco inspirados, cenas copiadas de outros filmes e algumas interpretações risíveis  são partes dos acessórios para um verdadeiro show de mulheres peladas, cenas eróticas, música dançante e eficiente maquiagem. Não obstante, é possível assistir ao filme do início ao fim, podendo, ainda, se divertir. Acreditem...
O principal cartaz de divulgação é muito parecido com o pôster do cult e bem-sucedido Tubarão (Jaws, 1975). Não por acaso,  Richard Deyfruss, o astro  desta produção de Steven Spielberg,  faz uma ponta no primeiro ato de Piranha, numa tentativa de causar impacto dramático logo de início, como também numa forma de valorizar as chamadas para o cast. Acredito que os nomes de Ving Rhames, Christopher Lloyd e Dreyfuss serviram para isto. Sem falar na protagonista, a indicada e premiada Elisabeth Shue.
 
Os personagens habituais desse tipo de produção estão todos lá: os policiais corretos e protetores, a suposta namoradinha virgem que fica em perigo, as pessoas hedonistas que não se preocupam com os alertas e continuam na bandalheira, o jovem irresponsável que se mete em enrascada por causa dos hormônios, os palhaços que não levam nada a sério e as belas piranhas que aprontam todas e que nós já sabemos que irão morrer (não estou falando dos peixes).
Como se não bastasse tanto clichê e tanta falta de inspiração, ainda temos Lloyd, mais uma vez, fazendo o cientista maluco, num papel que serve somente para dar uns explicações básicas para lógica do filme.
Quando o filme for passar na TV paga, tirem as crianças da sala, pois a linda e escultural Kelly Brook protagoniza uma longa cena lésbica e esteticamente bem cuidada. Ah, mas o papel não é de lésbica, é apenas de uma garota que gosta de curtir diferentes momentos, se é que vocês me entendem...
Depois de muita descontração, música, dança, bebidas, um natural abalo císmico ocorrido nas profundezas do mar liberta criaturas demoníacas com sede de sangue e apetite voraz por carne (calma, eu ainda estou falando do filme Piranha). Na explicação científica do personagem de Lloyd, trata-se de um espécime tido como extinto há milhares de anos, mas que, por algum motivo, conseguiu sobreviver  abaixo do solo marítimo e se procriar (ah, não queiram entender...).  A partir de então, o azul contagiante do filme é tingido de vermelho para  a apresentação de um verdadeiro espetáculo de maquiagem (bem-feita) e de cenas cruéis ao estilo da franquia Jogos Mortais (Saw)
Além da diversão, dos recursos tecnológicos e da publicidade em torno do filme, a presença da belíssima e eficiente Elisabeth Shue também foi um motivo que me levou a conferir a produção. A prestigiada atriz ficou com o difícil papel de dar credibilidade às cenas e de impor o tom dramático nos momentos que precisavam ser críveis. As cenas com as peladas de plantão e com o cientista maluco são aquelas em que nos compadecemos com o esforço de Shue em parecer séria. Ao final, ela consegue.
Pelas fotos do Avant-Première, em que está registrado o clima de festa e sorrisos, ficamos certos de que atores e diretor não fizerm o filme com a intenção de parecer sério realmente (criticaram a gostosinha da Megan Fox que andou admitindo essas coisas em outro filme...), mas sim de propor um entretenimento sem maiores pretensões para o verão norte-americano.
Bem, apesar do tom da postagem, eu sugiro um conferida no filme. Vale a diversão.

sábado, 14 de agosto de 2010

Sleuth

Infelizmente, a refilmagem do ótimo “Trama Diabólica” (Sleuth, UK, 2007) veio direto para as locadoras aqui no Brasil. Talvez por aqueles conhecidos problemas de distribuição. Mas, ainda assim, o público poderá vibrar com o interessante jogo de gato e rato entre um marido traído (Michael Caine, ótimo) e o amante de sua esposa (o carismático Jude Law).
O novo filme recebeu o título de “Um Jogo de Vida ou Morte” e foi finalizado em dezembro de 2007, na Inglaterra. Dirigido pelo “shakesperiano” Kenneth Branagh e roteirizado por Harold Pinter (ganhador do Prêmo Nobel de Literatura em 2005), o filme é baseado na peça teatral de Anthony Shaffer, que aqui no Brasil ganhou o nome de “O Jogo do Crime”, conforme registro no SBAT (Sociedade Brasileira de Autores). Os títulos em português no cinema e no vídeo foram diferentes: “Trama Diabólica” e “Jogo Mortal”. Quanto título!!!!!! A curiosidade deste remake é que, em 1972, Joseph L. Mankiewicz dirigiu a primeira versão para o cinema com Michael Caine fazendo papel do amante, ficando o papel do marido a cargo do ilustre Sir Lawrence Olivier.
Não quero adiantar muito, mas é importante avisar que o filme é supreendente.

A história é simples e bem amarrada: um marido traído convida o amante de sua esposa para um final de semana aprazível em sua luxuosa e isolada mansão… Mas o que ele queria afinal? Bem, propor um jogo muito perigoso. Mas o amante não era tão ingênuo como o inteligente marido imaginava…

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Sleuth

Infelizmente, a refilmagem do ótimo “Trama Diabólica” (Sleuth, UK, 2007) veio direto para as locadoras aqui no Brasil. Talvez por aqueles conhecidos problemas de distribuição. Mas, ainda assim, o público poderá vibrar com o interessante jogo de gato e rato entre um marido traído (Michael Caine, ótimo) e o amante de sua esposa (o carismático Jude Law).

O novo filme recebeu o título de “Um Jogo de Vida ou Morte” e foi finalizado em dezembro de 2007, na Inglaterra. Dirigido pelo “shakesperiano” Kenneth Branagh e roteirizado por Harold Pinter (ganhador do Prêmo Nobel de Literatura em 2005), o filme é baseado na peça teatral de Anthony Shaffer, que aqui no Brasil ganhou o nome de “O Jogo do Crime”, conforme registro no SBAT (Sociedade Brasileira de Autores). Os títulos em português no cinema e no vídeo foram diferentes: “Trama Diabólica” e “Jogo Mortal”. Quanto título!!!!!! A curiosidade deste remake é que, em 1972, Joseph L. Mankiewicz dirigiu a primeira versão para o cinema com Michael Caine fazendo papel do amante, ficando o papel do marido a cargo do ilustre Sir Lawrence Olivier.

Não quero adiantar muito, mas é importante avisar que o filme é supreendente.

A história é simples e bem amarrada: um marido traído convida o amante de sua esposa para um final de semana aprazível em sua luxuosa e isolada mansão… Mas o que ele queria afinal? Bem, propor um jogo muito perigoso. Mas o amante não era tão ingênuo como o inteligente marido imaginava…