segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Ferris Bueller's Day Off



Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller's Day Off, 1986) se tornou um verdadeiro cult em meio a tantos filmes direcionados ao público adolescente nos anos 80. A ânsia por uma sequência foi grande, mas, assim como outras produções brilhantemente dirigidas por John Hughes, não houve uma continuação para aplacar o desejo de milhares de fãs.

Talvez tenha sido um grande acerto, uma vez que temos exemplos de filmes que se arriscaram em sequências e que não conseguiram sequer fazer sombra ao filme original.

O diretor John Hughes (1950-2009) soube retratar com maestria e impecável humor várias histórias dos adolescentes daquela década, conseguindo agradar a espectadores de muitos países e de diversas faixas etárias. 

Assim como Curtindo a Vida Adoidado, outros filmes de sucesso do diretor não tiveram continuações e, talvez por isto, eles tenham ficado tão bem guardados na memória de quem os assistiu. Gatinhas e Gatões (Sixteen Candles, 1984), com Molly Ringwald e Anthony Michael Hall, Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985), com Judd Nelson, Emilio Estevez, Anthony Michael Hall e, mais uma vez, a musa teen Molly Ringwald, e o hilário Mulher Nota 1000 (Weird Science, 1985), com Anthony Michael Hall (de novo) e a super gata daquele momento Kelly LeBrock, todos dirigidos por Hughes, são bons exemplares de comédias adolescentes que ditaram regras para outras produções da época.



John Hughes ainda produziu e roteirizou dois filmes adolescentes que se tornaram referências no gênero comédia romântica de adolescentes: A Garota de Rosa-Shocking (Pretty in Pink, 1986), que transformou Molly Ringwald numa estrela dos anos 80,  e Alguém Muito Especial (Some Kind of Wonderful, 1987), com Eric Stoltz, Lea Thompson e Mary Stuart Masterson.

Entre todos esses pequenos clássicos, não há dúvidas de que Curtindo a Vida Adoidado se sobressaiu como um dos mais divertidos e perspicazes da década, conseguindo o feito de entreter o público do início ao fim, sem escorregar em cenas repetidas ou vazias. Com uma história leve e cheia de diálogos inspirados, o filme não envelheceu, mantendo com primor sua abordagem despretensiosa acerca de jovens peraltas, desencontros familiares e ambientes escolares enfadonhos. Podemos dizer também que foi um encontro acertado de pessoas e momento: protagonistas e elenco de apoio talentosos,  roteiro bem executado e, claro, um diretor sagaz .



Neste filme, Ferris Bueller (Matthew Broderick) é um adolescente esperto e muito cínico que se finge de doente para matar um dia de aula e passar uma tarde de aventuras com  sua namorada (Mia Sara) e seu melhor amigo, o descompensado Cameron (Alan Ruck). No entanto, a facilidade que ele tinha de enganar seus ingênuos pais não se aplicava em duas pessoas sedentas por desmascará-lo: a irmã ciumenta e problemática (Jennifer Grey, de Dirty Dance, 1987) e o diretor vilão e atrapalhado, eficaz e histrionicamente interpretado por Jeffrey Jones.





Como grande parte da jornada foi no improviso, Ferris passa por muitas peripécias, levando os três adolescentes a hilárias situações de fugas, calotes e disfarces, sem nunca comprometer o bom humor do protagonista. É quase um anti-herói que poderia ter caído na crítica negativa do público, mas o carisma de Broderick garantiram a Ferris Bueller um lugar de respeito entre os caçadores de aventuras de plantão. 





No decorrer dos passeios, o filme tem um momento antológico, no qual Broderick sobe num carro alegórico de uma parada alemã e dubla "Twist and Shout", dos Beatles, numa cena citada e lembrada com muito entusiasmo, até por quem não conferiu o longa na íntegra.


Recentemente, surgiu um teaser na internet que mostrava Ferris em sua vida adulta, o que causou certa especulação sobre uma retomada do projeto, porém, o vídeo tratava-se tão somente de uma campanha de marketing de um veículo Honda. Ainda assim, o vídeo reacendeu a probabilidade de um revival para Curtindo a Vida Adoidado, afinal, Matthew Broderick, em entrevista, desconversou sobre seu interesse na continuação do longa.

Diante da chama reacesa, bem que podiam produzir um Curtindo a Vida Adulta Adoidado, com um Ferris Bueller maduro procurando pelo amigo solteirão e hipocondríaco e pela ex-namorada Sloane, hoje casada e cheia de regras, para viverem mais um dia de aventura e ruptura nos compromissos.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Nosferatu vs. Drácula


A população local de uma cidade da Alemanha deve ter se assustado com um anúncio de jornal, no qual o autor manifestava interesse em comprar vários ratos. E não eram aqueles criados em laboratórios, mas o animal naquele seu aspecto mais sujo e repugnante mesmo.


A coisa foi ainda pior por ter ocorrido no início dos anos 20 do século passado.

O cineasta F.W. Murnau (1888-1931) plagiou o romance Dracula (1897), do escritor irlandês Bram Stoker, e produziu um dos melhores expoentes do expressionismo alemão, com o título de Nosferatu (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, 1922). Os ratos faziam parte dos objetos cênicos do filme de terror, o que, nos dias de hoje, poderiam ser substituídos por criaturas digitais.

Com a apropriação indevida da obra, o filme teve o roteiro claramente copiado do romance Drácula, tendo havido apenas alterações dos lugares e dos nomes dos personagens. Murnau havia tentado negociar a liberação com a família do autor da obra, mas a viúva de Stoker se recusou a vender os direitos autorais ao cineasta, então, o maluco resolveu filmar assim mesmo, promovendo as insignificantes modificações de denominações.



O diretor foi processado e, por este motivo, cópias do filme foram recolhidas e destruídas, porém, alguns exemplares foram guardados (escondidos) e foram disponibilizados após vários anos. Apesar da ilegalidade, o filme tornou-se uma referência no seguimento de filmes de terror, sendo um grande representante da técnica expressionista, brilhantemente conduzida por Murnau.



O longa inicia sua narrativa com a história de Hutter (Gustav von Wangenheim), um ingênuo corretor de imóveis, que viaja para vender um castelo, situado às margens do Mar Báltico, de propriedade do estranho conde Graf Orlock (Max Schreck, tão esquisito quanto o personagem). O conde, na realidade, é um vampiro que intenciona mudar-se para Bremen, Alemanha. Fascinado pela esposa de Hutter, Ellen (Greta Schröder), a qual ele conhece por uma fotografia, Orlock viaja para a cidade em que vive a jovem, intencionando possuí-la, trazendo terror e destruição ao local.
.
 
A produção apresentou um vampiro de perfil demoníaco e aparência grotesca, o que causou grande impacto na época de seu lançamento, e trouxe ainda um trabalho visual de curiosa elaboração, o que garantiu destaque e representatividade do filme na galeria de  bens sucedidos no gênero horror. Apesar de toda esse destaque, este exemplar de terror, visto nos dias de hoje, não chega a ser assustador, tendo algumas cenas que podem até ser consideradas risíveis. No entanto, sua atmosfera sombria  permanece causando admiração nos estudiosos de cinema, podendo despertar algum tipo de medo nos desavisados de plantão.


O excêntrico ator Max Schreck se tornou uma figura tão lendária no mundo cinematográfico que o filme A Sombra de um Vampiro (Shadow of the Vampire, 2000) teve a ousadia de contar os bastidores da produção alemã, colocando o ator principal (brilhantemente interpretado por Willem Dafoe) como um vampiro de verdade, razão pela qual artista e personagem tiveram grande interação e verossimilhança.
 
Há um remake de 1979,  Nosferatu: O Vampiro da Noite (Nosferatu: Phantom der Nacht), dirigido por Werner Herzog, com o controverso (e, segundo a filha, tarado) Klaus Kinski, no papel do conde, e a bela Isabelle Adjani, interpretando Ellen. Vale a pena assistir como curiosidade.

Para quem assistiu ao Drácula de Bram Stoker (1982), de Francis Ford Coppola, com Gary Oldman, Winona Ryder e Keanu Reeves, deve ter percebido que o argumento e personagens são os mesmos do cultuado filme alemão, uma vez que se baseiam na mesma obra.




O filme de 1992 tem uma impressionante cena, na qual o vampiro monstruoso é encurralado e, para escapar, transforma-se em milhares de ratos, num perfeito trabalho de efeito especial.

E esses muitos ratos foram produzidos com a tecnologia CGI. Os atores de hoje agradecem.





quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

43 cenas para uma música

Criativo e divertido!

Matthijs Vlot editou cenas de vários filmes para executar a música “Hello”, de Lionel Richie.

O resultado ficou ótimo!



 

 I’ve been alone with you inside my mind
And in my dreams I’ve kissed your lips a thousand times
I sometimes see you pass outside my door
Hello, is it me you’re looking for?
I can see it in your eyes
I can see it in your smile
You’re all I’ve ever wanted, (and) my arms are open wide
‘Cause you know just what to say
And you know just what to do
And I want to tell you so much, I love you …


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Filha do Mal

Não perca seu tempo!



Filme de terror de  baixo orçamento que surpreende na bilheteria. A gente já ouviu e leu muito sobre isso nos últimos tempos, não é mesmo? 

Filha do Mal (The Devil Inside, 2012) é mais um filme em estilo semidocumentário que traz a história de uma bela garota que decide investigar os fatos e entender os motivos que levaram sua mãe a assassinar brutalmente três religiosos durante uma sessão de exorcismo. Se o argumento básico parece instigante, o roteiro e a montagem nos levam de volta a um lugar comum.

O filme começa no momento em que Maria Rossi, uma mulher franzina que assassinou com vigor dois padres e uma freira, liga para a emergência (911) e relata o seu crime. Da parte da ligação até a ida da polícia ao local, tudo é apresentado em formato de matéria jornalística, o que, nesse estágio inicial, até funciona. Saindo dessa introdução, vamos para a velha e sacada câmera subjetiva.

Decorridas algumas partes, já entendemos que o uso da suposta câmera amadora, na realidade, serve  para perder o foco, tremer a imagem ou simplesmente não mostrar aquelas cenas que exigiriam maior rigor técnico na sua concepção. Esse artifício poderia até ser um trunfo para conferir veracidade às emoções do camera man, mas trata-se tão somente de um subterfúgio para não mostrar algo que somente um eficiente trabalho de efeitos visuais poderia garantir.

Parece mesmo que A Bruxa de Blair (Blair Witch Project, 1999) deixou um legado maldito, pois, resguardadas as diferenças nas histórias e nas localidades, a fórmula é exatamente a mesma. O Último Exorcismo (The Last Exorcism, 2010) e Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007) copiaram a fonte e se deram muito bem no cinema. O primeiro já está com uma sequência em fase de pré-produção e o segundo...

Assim que saímos do cinema, constatamos, mais uma vez, que algum esperto fez um filme de qualquer jeito para ganhar dinheiro fácil. E eu sempre acredito que aquele será o último, que aquele formato se esgotou, mas não, eles voltam, eles se reinventam, eles fazem mais vítimas... E ganham dinheiro porque sempre haverá ingênuos (para não dizer outra coisa) que irão conferir na tela grande, como é o caso deste adorador de cinema que aqui escreve!


Confesso que, quando os créditos iniciais informaram não haver participação da Santa Igreja Católica Apostólica Romana naquela produção,  não cheguei a elaborar crítica alguma sobre aquilo, afinal, eu estava na expectativa de assistir ao filme que passou a ocupar o posto de quinta melhor bilheteria, no gênero terror, em estreia realizada no mês de janeiro. Mas depois, encerrada a projeção, lembrei-me da informação e a achei hilária. Diante do resultado final, qualquer um com um mínimo de inteligência nem cogitaria a participação da Igreja num filme tão capenga.

Os dois padres exorcistas que ajudam a garota chegam a ser cômicos. Vejam bem: a Igreja não aprovava todos os pedidos de exorcismo que chegavam ao Vaticano, então, eles, sensibilizados com o sofrimento de alguns possuídos, decidiam fazer por conta própria as sessões, mas tinha de ser em segredo, sem o conhecimento de seus superiores. Eles não podiam revelar isto a ninguém, somente para as câmeras do documentário que a moça estava fazendo. E um deles, o mais bobo, chora diante da câmera, dizendo que estava com medo de ser excomungado.

Outra parte incômoda: o roteiro é tão frágil que nem se dá ao trabalho de explicar como a moça teve acesso a documentos e locais de forma tão fácil. O cúmulo é quando a garota consegue realizar uma nova sessão de exorcismo na sua mãe, a tal da Dona Maria, no manicômio judiciário em que a senhora estava reclusa após decisão judicial.  Conta outra...

Vamos a um SPOILER:
.
Assim como os outros filmes citados nesta postagem, Filha do Mal termina do mesmo jeito: cena de correria e tensão, paulada surpresa no público, fim da filmagem e créditos fuleiros subindo...

Fim do SPOILER.

Apenas uma ressalva: apesar de citados nesta crítica, A Bruxa de Blair e O Último Exorcismo merecem uma conferida.