sábado, 11 de fevereiro de 2012

Nosferatu vs. Drácula


A população local de uma cidade da Alemanha deve ter se assustado com um anúncio de jornal, no qual o autor manifestava interesse em comprar vários ratos. E não eram aqueles criados em laboratórios, mas o animal naquele seu aspecto mais sujo e repugnante mesmo.


A coisa foi ainda pior por ter ocorrido no início dos anos 20 do século passado.

O cineasta F.W. Murnau (1888-1931) plagiou o romance Dracula (1897), do escritor irlandês Bram Stoker, e produziu um dos melhores expoentes do expressionismo alemão, com o título de Nosferatu (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, 1922). Os ratos faziam parte dos objetos cênicos do filme de terror, o que, nos dias de hoje, poderiam ser substituídos por criaturas digitais.

Com a apropriação indevida da obra, o filme teve o roteiro claramente copiado do romance Drácula, tendo havido apenas alterações dos lugares e dos nomes dos personagens. Murnau havia tentado negociar a liberação com a família do autor da obra, mas a viúva de Stoker se recusou a vender os direitos autorais ao cineasta, então, o maluco resolveu filmar assim mesmo, promovendo as insignificantes modificações de denominações.



O diretor foi processado e, por este motivo, cópias do filme foram recolhidas e destruídas, porém, alguns exemplares foram guardados (escondidos) e foram disponibilizados após vários anos. Apesar da ilegalidade, o filme tornou-se uma referência no seguimento de filmes de terror, sendo um grande representante da técnica expressionista, brilhantemente conduzida por Murnau.



O longa inicia sua narrativa com a história de Hutter (Gustav von Wangenheim), um ingênuo corretor de imóveis, que viaja para vender um castelo, situado às margens do Mar Báltico, de propriedade do estranho conde Graf Orlock (Max Schreck, tão esquisito quanto o personagem). O conde, na realidade, é um vampiro que intenciona mudar-se para Bremen, Alemanha. Fascinado pela esposa de Hutter, Ellen (Greta Schröder), a qual ele conhece por uma fotografia, Orlock viaja para a cidade em que vive a jovem, intencionando possuí-la, trazendo terror e destruição ao local.
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A produção apresentou um vampiro de perfil demoníaco e aparência grotesca, o que causou grande impacto na época de seu lançamento, e trouxe ainda um trabalho visual de curiosa elaboração, o que garantiu destaque e representatividade do filme na galeria de  bens sucedidos no gênero horror. Apesar de toda esse destaque, este exemplar de terror, visto nos dias de hoje, não chega a ser assustador, tendo algumas cenas que podem até ser consideradas risíveis. No entanto, sua atmosfera sombria  permanece causando admiração nos estudiosos de cinema, podendo despertar algum tipo de medo nos desavisados de plantão.


O excêntrico ator Max Schreck se tornou uma figura tão lendária no mundo cinematográfico que o filme A Sombra de um Vampiro (Shadow of the Vampire, 2000) teve a ousadia de contar os bastidores da produção alemã, colocando o ator principal (brilhantemente interpretado por Willem Dafoe) como um vampiro de verdade, razão pela qual artista e personagem tiveram grande interação e verossimilhança.
 
Há um remake de 1979,  Nosferatu: O Vampiro da Noite (Nosferatu: Phantom der Nacht), dirigido por Werner Herzog, com o controverso (e, segundo a filha, tarado) Klaus Kinski, no papel do conde, e a bela Isabelle Adjani, interpretando Ellen. Vale a pena assistir como curiosidade.

Para quem assistiu ao Drácula de Bram Stoker (1982), de Francis Ford Coppola, com Gary Oldman, Winona Ryder e Keanu Reeves, deve ter percebido que o argumento e personagens são os mesmos do cultuado filme alemão, uma vez que se baseiam na mesma obra.




O filme de 1992 tem uma impressionante cena, na qual o vampiro monstruoso é encurralado e, para escapar, transforma-se em milhares de ratos, num perfeito trabalho de efeito especial.

E esses muitos ratos foram produzidos com a tecnologia CGI. Os atores de hoje agradecem.





quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

43 cenas para uma música

Criativo e divertido!

Matthijs Vlot editou cenas de vários filmes para executar a música “Hello”, de Lionel Richie.

O resultado ficou ótimo!



 

 I’ve been alone with you inside my mind
And in my dreams I’ve kissed your lips a thousand times
I sometimes see you pass outside my door
Hello, is it me you’re looking for?
I can see it in your eyes
I can see it in your smile
You’re all I’ve ever wanted, (and) my arms are open wide
‘Cause you know just what to say
And you know just what to do
And I want to tell you so much, I love you …


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Filha do Mal

Não perca seu tempo!



Filme de terror de  baixo orçamento que surpreende na bilheteria. A gente já ouviu e leu muito sobre isso nos últimos tempos, não é mesmo? 

Filha do Mal (The Devil Inside, 2012) é mais um filme em estilo semidocumentário que traz a história de uma bela garota que decide investigar os fatos e entender os motivos que levaram sua mãe a assassinar brutalmente três religiosos durante uma sessão de exorcismo. Se o argumento básico parece instigante, o roteiro e a montagem nos levam de volta a um lugar comum.

O filme começa no momento em que Maria Rossi, uma mulher franzina que assassinou com vigor dois padres e uma freira, liga para a emergência (911) e relata o seu crime. Da parte da ligação até a ida da polícia ao local, tudo é apresentado em formato de matéria jornalística, o que, nesse estágio inicial, até funciona. Saindo dessa introdução, vamos para a velha e sacada câmera subjetiva.

Decorridas algumas partes, já entendemos que o uso da suposta câmera amadora, na realidade, serve  para perder o foco, tremer a imagem ou simplesmente não mostrar aquelas cenas que exigiriam maior rigor técnico na sua concepção. Esse artifício poderia até ser um trunfo para conferir veracidade às emoções do camera man, mas trata-se tão somente de um subterfúgio para não mostrar algo que somente um eficiente trabalho de efeitos visuais poderia garantir.

Parece mesmo que A Bruxa de Blair (Blair Witch Project, 1999) deixou um legado maldito, pois, resguardadas as diferenças nas histórias e nas localidades, a fórmula é exatamente a mesma. O Último Exorcismo (The Last Exorcism, 2010) e Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007) copiaram a fonte e se deram muito bem no cinema. O primeiro já está com uma sequência em fase de pré-produção e o segundo...

Assim que saímos do cinema, constatamos, mais uma vez, que algum esperto fez um filme de qualquer jeito para ganhar dinheiro fácil. E eu sempre acredito que aquele será o último, que aquele formato se esgotou, mas não, eles voltam, eles se reinventam, eles fazem mais vítimas... E ganham dinheiro porque sempre haverá ingênuos (para não dizer outra coisa) que irão conferir na tela grande, como é o caso deste adorador de cinema que aqui escreve!


Confesso que, quando os créditos iniciais informaram não haver participação da Santa Igreja Católica Apostólica Romana naquela produção,  não cheguei a elaborar crítica alguma sobre aquilo, afinal, eu estava na expectativa de assistir ao filme que passou a ocupar o posto de quinta melhor bilheteria, no gênero terror, em estreia realizada no mês de janeiro. Mas depois, encerrada a projeção, lembrei-me da informação e a achei hilária. Diante do resultado final, qualquer um com um mínimo de inteligência nem cogitaria a participação da Igreja num filme tão capenga.

Os dois padres exorcistas que ajudam a garota chegam a ser cômicos. Vejam bem: a Igreja não aprovava todos os pedidos de exorcismo que chegavam ao Vaticano, então, eles, sensibilizados com o sofrimento de alguns possuídos, decidiam fazer por conta própria as sessões, mas tinha de ser em segredo, sem o conhecimento de seus superiores. Eles não podiam revelar isto a ninguém, somente para as câmeras do documentário que a moça estava fazendo. E um deles, o mais bobo, chora diante da câmera, dizendo que estava com medo de ser excomungado.

Outra parte incômoda: o roteiro é tão frágil que nem se dá ao trabalho de explicar como a moça teve acesso a documentos e locais de forma tão fácil. O cúmulo é quando a garota consegue realizar uma nova sessão de exorcismo na sua mãe, a tal da Dona Maria, no manicômio judiciário em que a senhora estava reclusa após decisão judicial.  Conta outra...

Vamos a um SPOILER:
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Assim como os outros filmes citados nesta postagem, Filha do Mal termina do mesmo jeito: cena de correria e tensão, paulada surpresa no público, fim da filmagem e créditos fuleiros subindo...

Fim do SPOILER.

Apenas uma ressalva: apesar de citados nesta crítica, A Bruxa de Blair e O Último Exorcismo merecem uma conferida.



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Heavenly Creatures, 1994

A explosiva estréia de Kate Winslet no cinema...



Como fã do talentoso diretor Peter Jackson, fui assistir ao filme Um Olhar no Paraíso (The Lovely Bones, 2009) com ótimas expectativas, mas terminei por sair frustrado do cinema. 

As belas imagens de um mundo idílico, o prestigiado nome do diretor, os desempenhos memoráveis de Saoirse Ronan, assim como de Stanley Tucci, e a presença de atores de primeira linha (Mark Whalberg, Susan Sarandon e Rachel Weisz) não ajudaram a emplacar a trêfega história  da garota que, após ser assassinada por seu vizinho, acompanha a trajetória das investigações acerca de sua vida e visualiza o sofrimento de seus familiares.

Fantasia, drama, suspense, romance... Afinal, o que Peter Jackson quis apresentar ao produzir, roteirizar e dirigir esse filme?

Debates à parte, não é possível deixar de reconhecer a excelente qualidade das cenas passadas no mundo paralelo à realidade.

Assassinato e situações oníricas já nos foram apresentados pelo diretor em uma produção do início de sua carreira e, talvez, o filme Um Olhar no Paraíso tenha sido uma vontade de revisitar o supreendente Almas Gêmeas (Heavenly Creatures, 1994), o filme que marcou a estréia da premiada Kate Winslet no cinema.



O ponto positivo é que, no filme de 1994, o mundo surreal se encaixou perfeitamente ao contexto, visto que representava bem as mentes insanas e apaixonadas das duas garotas que protagonizam a história.

Baseado em fatos, o filme retrata a amizade obsessiva de duas adolescentes que, ao primeiro risco de serem afastadas por suas famílias, planejam o assassinato da mãe de uma delas. A primeira cena do filme é marcada por um momento da mais pura histeria e causa um certo incômodo, no entanto, isso é rapidamente atenuado com a transição para uma situação mais amena e corriqueira. E é com essa construção que percebemos a competente mão do diretor, pois, ao invés de nos colocar diante de uma mal arrumada ruptura, consegue-se transformar o impacto numa expectativa, numa vontade de saber o que irá nos conduzir àquele tenso prólogo, sem, contudo, tornar-se a espera fundamental dos espectadores, uma vez que o roteiro e o ótimo desempenho das atrizes preenchem os pensamentos com uma história firme e envolvente.


Kate Winslet, então com 19 anos, após participações em seriados de TV, com esse intenso filme, teve sua chance de aparecer na tela grande e de provar que não estava brincando de ser atriz.

Num dueto interessante com Melanie Lynskey (a Rose de Two and a Half Man, 2003-2011), Kate Winslet mantém-se firme nos momentos de docilidade, sensualidade e ferocidade de sua personagem. Uma atriz menos ousada não teria dado credibilidade ao dúbio sentimento que as garotas sentiam uma pela outra.

A partir desse trabalho, diretor e atriz começaram suas ascensões no mundo cinematográfico e estão presentes em vários filmes arrasa-quarteirões e em produções mais contidas, mas de inquestionáveis qualidades criativas.



Winslet mantém-se rigorosa em suas escolhas, seguindo uma linha de princípios e critérios parecida com a conduta adotada pela excepcional Jodie Foster, e Peter Jackson, após sucessivos sucessos de crítica e público, pode se dar ao luxo de escorregar nesses Olhares no Paraíso da vida...


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Recentes Fracassos de Bilheteria

E Lanterna Verde está entre eles.

Em dezembro de 2011, o site Hollywood Reporter divulgou a lista dos fracassos de bilheteria do ano.

Filmes de alto orçamento e produção caprichada têm um dever maior de agradar o grande público, pois, além de precisar cobrir os custos, é necessário arrecadar significativamente para realmente se ter um retorno capital.

Por esta razão, filmes intimistas e cabeças não estão na mira dos grandes estúdios. É um grande risco.

E nesse custo, inclui-se também o cachê do ator... Quantos vezes ouvimos que determinado artista foi descartado por ter cobrado muito alto para atuar?

Trabalho de divulgação, uso de alta tecnologia, locações externas e equipe técnica são uns dos muitos itens a serem considerados.

Bem, alguns da lista foram lançados recentemente (e outros eu nem sabia que já tinham lançamento), então, talvez ainda há chances de virada... Vai saber.



Marte Precisa de Mães (Mars Needs Moms!)  
Orçamento: US$ 150 milhões; Arrecadação: US$ 39 milhões
Direção: Simon Wells
Dizem que os principais problemas foram o lançamento simultâneo em muitas salas de cinema e o ingresso mais caro pelo uso da tecnologia 3D. Deve funcionar no home video. Uma pena...


Sucker Punch - Mundo Surreal (Sucker Punch)
Orçamento: US$ 82 milhões; Arrecadação: US$ 89, 8 milhões
Direção: Zack Snyder
Atrizes: Emily Browning, Abbie Cornish, Vanessa Hudgens e Jena Malone

Vi o trailer e não me interessei em ir ao cinema. Torço para que Zack Snyder tenha mais sorte no Man of Steel.



Arthur,  O Milionário Irresistível (Arthur)
Orçamento: US$ 40 milhões; Arrecadação: US$ 45,7 milhões
Direção: Jason Winer 

Só o cartaz já dá uma ideia do quanto o filme deve ser bobo. Ademais, todos sabem que Hellen Mirren, nos intervalos de seus filmes caprichados,  gosta de fazer umas bobagens de vez em quando. Deve ser este caso.


Lanterna Verde (Green Lantern)
Orçamento: US$ 200 milhões; Arrecadação: US$ 219 milhões
Direção: Martin Campbell
Elenco: Ryan Reynolds, Blake Lively, Peter Sarsgaard, Mark Strong.

Os rumores, as expectativas e os bastidores tiveram mais impacto que o filme em si.


Cowboys e Aliens (Cowboys and Aliens)
Orçamento: US$ 163 milhões; Arrecadação: US$ 178,8 milhões 
Direção: Jon Favreau
Atores: Daniel Craig, Olivia Wilde, Harrison Ford, Sam Rockwell.


A interessante mistura de ficção e velho oeste, o elenco afiado e os estrondosos efeitos visuais não foram suficientes para suprir o roteiro pouco inspirado. Eu fui ao cinema para ver um filmaço. Não foi bom, mas valeu o entretenimento instantâneo e diluível.



Glee: The 3D Concert Movie
Orçamento: US$ 9 milhões; Arrecadação: US$ 18, 7 milhões
Direção: Kevin Tancharoen
Atores: Dianna Agron, Lea Michele, Cory Monteith, Chris Colfer.

Na minha opinião, o seriado é muito chato. Se o filme foi na mesma linha, está justificada a inclusão na lista.


Conan, O Bárbaro  (Conan) 
Orçamento: US$ 90 milhões; Arrecadação: US$ 48,8 milhões
Direção: Marcus Nispel
Atores: Jason Momoa, Rose McGowan, Ron Perlman, Rachel Nichols.


Músculos e brutalidade deram fama e dinheiro ao ex-governador da California... Os tempos mudaram.



Não Sei Como Ela Consegue  (I Don't Know How She Does It)
Orçamento: US$ 24 milhões; Arrecadação: US$ 30,5 milhões
Direção: Douglas McGrath
Atores: Sarah Jessica Parker, Pierce Brosnan, Greg Kinnear, Christina Hendricks.
Quem mandou pagarem aquela fortuna para Sarah Jessica Parker?



A Coisa (The Thing) 
Orçamento: US$ 38 milhões; Arrecadação: US$ 27, 4 milhões
Direção: Matthijs van Heijningen Jr.
Atores: Mary Elizabeth Winstead, Joel Edgerton, Eric Christian Olsen, Ulrich Thomsen.

A indecisão entre refilmagem e nova visitação deve ter confundido e dasagradado boa parte dos espectadores.
 

The Big Year 
Orçamento: US$ 41 milhões; Arrecadação: US$ 7,4 milhões
Direção: David Frankel
Atores: Jack Black, Owen Wilson, Steve Martin, John Cleese.
Não pretendo assistir.


Diário de Um Jornalista Bêbado
Orçamento: US$ 45 milhões; Arrecadação: US$ 21,6 milhões
Direção: Bruce Robinson 
Elenco:Johnny Depp, Amber Heard, Aaron Eckhart, Giovanni Ribisi.
Johnny Depp é um ator que cobra muito caro, e suas caras e bocas nem sempre funcionam sem alguém de peso para ajudar.
 


Anonymous
Orçamento: US$ 30 milhões; Arrecadação: US$ 14 milhões)
Direção: Roland Emmerich
Atores: Rhys Ifans, Vanessa Redgrave, Sebastian Armesto, Rafe Spall.


Grande presença de Vanessa Redgrave, mas erros históricos e roteiro confuso também promovem reprovações.

 

Roubo nas Alturas (Tower Heist)
Orçamento: US$ 75 milhões; Arrecadação: US$ 126,3 milhões
Direção: Brett Ratner
Atores: Eddie Murphy, Ben Stiller, Alan Alda, Téa Leoni
Tem Eddie Murphy no elenco.


Happy Feet 2 
Orçamento: US$ 135 milhões; Arrecadação: US$ 115 milhões
Direção: George Miller


Noite de Ano Novo (New Year's Eve)
Orçamento: US$ 56 milhões; Arrecadação: US$ 54,9 milhões
Direção:Garry Marshall
Elenco: Hillary Swank, Ashton Kutcher, Katherine Heigl, Jon Bon Jovi e Robert De Niro.
Muitos atores famosos e histórias paralelas insossas. Robert De Niro e Hillary Swank andam fazendo cada coisa ultimamente...